Os argumentos contra os argumentos dos “camisas pretas”

vereadoresmaringaE ela está de volta! A polêmica sobre o aumento do número de vereadores em Maringá. E o mais surpreendente: não há nem projeto tramitando no legislativo, mas o debate foi novamente posto à tona pela chamada “sociedade civil organizada”. A tônica da população é acreditar em tal “sociedade”, aliada às questões da política – que, convenhamos, não tem feito uma boa figura. Mas, será que de fato estes argumentos se sustentam?

Na edição do jornal “O Diário do Norte do Paraná” de domingo, uma página inteira foi veiculada sobre o tema. Os argumentos, um a um são:

“1- O aumento de vereadores não significa aumento de representatividade popular, como alegam seus defensores, uma vez que o voto proporcional não garante que que os mais votados sejam, de fato, eleitos.”

Daí questiono: como não? o sistema eleitoral brasileiro permite justamente que, a partir do quociente eleitoral (aquela fórmula complexa), ocorra maior representatividade do eleitorado, especialmente para não eleger os mais votados e sim garantir que a maioria dos partidos estejam contemplados. Resumindo: mais cadeiras significa mais partidos e, portanto, mais segmentos representados. Logo, o argumento está incorreto;

“2- A disponibilidade orçamentária – hoje a câmara gasta menos que o seu orçamento legal e devolve dinheiro que sobra aos cofres municipais – deveria ser cada vez mais incentivada, ainda mais no momento político e econômico atual, que exige austeridade. Se este projeto for aprovado, não haverá devolução dos recursos e muitas áreas que hoje se beneficiam destas verbas serão prejudicadas, em especial a saúde e a segurança pública. Cobramos transparência e também eficiência com as atuais 15 cadeiras. Não poemos retroceder!”

De fato, a Câmara tem sido econômica. Mas, não podemos julgar o atual momento político e econômico e, em seguida, utilizar tal argumento como justificativa para não ampliar as vagas. Imagine você, caro leitor, se a situação melhorar em dois meses. Este argumento ainda seria válido? E mais: os recursos devolvidos dos últimos 3 anos pela Câmara sempre ficaram em torno de 1 milhão de reais. Vale ressaltar que o orçamento legal destinado é de aproximadamente 35, 40 milhões de reais por ano. Hoje legislativo maringaense investe em torno de 12 milhões por ano, o que corresponde a 1% do orçamento de 1,2 bilhão de reais do Poder Executivo, valor este destinado à fiscalização do executivo e à criação de leis. Ora, não é um ínfimo investimento para cumprir com o que a “sociedade civil organizada” deseja? E mais: o valor devolvido à Prefeitura é aplicado da maneira que o chefe do Poder Executivo melhor acreditar, além de que a segurança pública não é de competência municipal e a saúde já possui um amplo orçamento para tal. Mais um argumento inválido.

“3- Quantidade não é sinônimo de qualidade. Simplesmente aumentar em 50% o número de cadeiras não garante que teremos melhores legisladores. Como faz desde a sua criação, o movimento eleitor consciente promove o debate sobre a qualidade do voto, buscando criar, incentivar e divulgar mecanismos de informação e esclarecimento a todos os cidadãos sobre os candidatos e sobre as atividades dos eleitos. E assim entendemos que vamos melhorar a qualidade de nossa representatividade”

Aí podemos debater sobre quantidade e qualidade. Mas a discussão pertinente é sobre o aumento das vagas – e, então, sobre representatividade – e não sobre quantidade/qualidade. Entretanto, a cultura política local predominante é sobre quantidade. Só olharmos os balanços publicados pelos jornais ao término de cada ano. Se assim este movimento deseja, ou seja, discutir sobre a melhoria na qualidade da representatividade, solicito um maior acompanhamento deste grupo sobre as atividades legislativas.

Diante do exposto, podemos afirmar que o cenário criado em relação ao aumento do número de vereadores é extremamente direcionado, não debatendo de fato a atividade do legislador e a possibilidade de melhorar a discussão no parlamento local. Além disso, não podemos justificar a questão “aumentar o número de vereadores” por conta da corrupção, do desvio das verbas públicas e das más práticas políticas – uma situação não depende necessariamente da outra. Mais uma vez, os argumentos dos “camisas pretas” não são convincentes.

Sociologia no tempo das redes sociais

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Há alguns dias, venho discutindo com amigos e alunos a relação entre as redes sociais e a sociologia. Desde a pulverização das mesmas, as pessoas mantém um relacionamento quase que instantâneo, em mundo virtual que nem sempre reflete os fenômenos da realidade. Mas, qual é então a contribuição que a sociologia proporciona aos atuais acontecimentos, na sociedade globalizada e porque não virtualizada?

As redes sociais aí estão e desde o primata Fotolog, uma ferramenta voltada para a publicação e comentários de fotos na internet. A grande dificuldade que víamos nele era o meio de acesso à internet (normalmente discada) e a tensão entre tirar e escanear as fotos, pois ter uma câmera digital na época era privilégio de poucos. Após o sepultamento do Fotolog e a transição para o MSN – rápido e direto na comunicação, o orkut chegou, imperando durante anos com suas comunidades, scraps e depoimentos. Digo que o mais divertido no orkut era ser “100% sexy”, muito melhor do que ser “100% confiável”.

A transição no modo de comunicação entre o orkut e o Facebook foi o Twitter, que por pouco tempo em 140 caracteres apareceu como alternativa à comunicação instantânea. Todavia, ele emplacou mais entre artistas, jornalistas e políticos no Brasil, não aderido à grande parcela da população. De 2011/2012 para cá, o Facebook passou a reinar entre os brasileiros. Com alternativas entre linha do tempo, fotos, vídeos e interatividade real, o Face popularizou os termos curtir, compartilhar e interagir.

Da virada de 2013 para 2014, os jovens passaram a procurar alternativas ao Facebook, invadido por seus pais e por todos, consequentemente. Surgiram o Instagram e o Snapchat, por exemplo. O primeiro, aplicativo destinado ao compartilhamento de fotos e vídeos curtos, é febre entre a moçada; o segundo vem no mesmo estilo, mas em um estilo “chat por fotos”, bem original e rápido. Por fim, vimos o WhastApp, tomando conta dos smartphones e disseminando a comunicação em rede no país – marcado pelas altas tarifas das companhias telefônicas.

O que desejo mostrar neste artigo é que fazemos sociologia o tempo todo. Assim como as redes sociais, a sociologia é dinâmica, se alterando conforme a ocasião e analisando os fenômenos que a sociedade produz de maneira diferente. Isto é, para a sociologia, olhar as ações sociais e vê-las estáticas, pouco dinâmicas, quase que naturais, não interessam: é preciso olhar para além da normalidade dada, visualizando situações deste tipo, em que as pessoas estão em constante comunicação e se relacionando entre si, discutindo assuntos do momento que passam despercebidos pela maioria da população.

Deste rápido exercício, podemos enxergar que a sociologia está presente em todas as nossas ações, em nosso cotidiano. Basta olharmos mais ao nosso redor, em um processo de estranhamento do mundo em que nada é dado como simples, direto, mas sim complexo e que leva uma gama de relações sociais implícitas. Vejamos mais nossa realidade social, considerando que mais do que virtuais, as redes sociais são uma maneira de exemplificar o que a sociologia faz: analisar os assuntos (ou fenômenos sociais) do momento, demonstrando que nada parece ser tão simples do que realmente é…

A Gazeta do Povo tem razão. Em partes.

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Há alguns dias venho refletindo acerca das eleições de 2014. Evitei tecer comentários diretos em relação a alguma candidatura específica. Tenho acompanhado os especialistas das mais diversas correntes tentando explicar alguns fenômenos. Mas, de todos os temas que atingem diretamente o eleitorado deste ano, o que mais acompanho são os ligados ao chamado “voto consciente”. Por que preferi acompanhar este assunto?

A resposta parece ser óbvia, porém não é tão simples assim. Fiz algumas palestras sobre o voto consciente. Chega nesta época todo mundo quer ouvir alguém pra dizer a mesma coisa: analise seus candidatos, vote conscientemente e escolha alguém que vai representar os anseios da população. A fórmula é simples, os resultados não.

A Gazeta do Povo veiculou uma notícia na edição de domingo (21/09), sendo inclusive matéria de capa, intitulada “Escolher um candidato é difícil, mas nunca esteve tão fácil”. Concordo. O argumento do jornal é verdadeiro e existem diversos sites na internet que expõem o trabalho dos políticos na internet, que atinge a metade da população brasileira e cerca de 84 milhões de eleitores.

Além disto, as ferramentas legais de transparência, fiscalização e controle da população estão aí: a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), a Lei da Transparência (2009) e a Lei de Acesso à Informação (2011). Todas as exigências legais aliadas aos sites de ONG’s, movimentos e dos próprios candidatos auxiliam na escolha da nova classe política.

Entretanto, precisamos ir para adiante do voto. Votar e escolher os melhores candidatos nunca esteve tão fácil. O difícil é acompanhar os mandatos, participar de sessões, reuniões, audiências públicas e demais atividades tanto do Poder Executivo quanto do Poder Legislativo. Há a necessidade de estimular a participação e o controle no “durante” e não somente no “antes”.

Ainda que os mecanismos de transparência, participação política e controle social sejam recentes no sistema político brasileiro, o cidadão deve saber que eles existem sim e estão disponíveis a um clique, na tela dos computadores e smartphones. A cultura política brasileira jamais havia experimentado estas possibilidades e, portanto, a paciência se faz necessária. Escolher um candidato nunca esteve tão fácil. Acompanhá-lo durante o mandato também.

Não precisa da minha via

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Não precisa da minha via. Talvez essa frase seja a mais dita por quem opta pela compra via cartão de crédito ou débito. Virou quase um bordão repetido pelos consumidores enquanto guardam seus cartões de volta às carteiras. Afinal, para que se precisa da segunda via sendo que a primeira já foi devidamente creditada ou debitada? Para que quero uma via para guardar e controlar minhas finanças mensais sendo que o estrago na conta já foi feito?

É assim que me sinto a cada dois anos. Saio domingo para ir às urnas – assim, do mesmo modo que milhões de brasileiros farão em 2014. Voto, munido da instrutiva “colinha eleitoral” cedida pelo meu candidato preferido e logo a dispenso. Ah, colinha esta quase sempre rabiscada, uma vez que o candidato “X” indicado pela chapa do meu queridinho não possuía minha preferência. O eleitor que ainda não percebeu deve estar se perguntando: o que a via do cartão se relaciona com o voto?

Aquém dos críticos e defensores, as urnas eletrônicas estão ai desde 1996. Em 1998 foi popularizada e, de 2000 em diante, faça chuva ou faça sol, vença governo ou oposição, elas aparecem a cada dois anos. Avançamos em 2012 com o recadastramento biométrico, permitindo maior identificação do eleitor e dizimando de uma vez possíveis substituições pessoais na hora do voto.

O que poucos sabem é que no final do dia, terminada a eleição, a urna solta uma espécie de extrato, relatando a quantidade de votos de cada candidato naquela seção (ou naquela urna). Ora, se a urna já possui um mecanismo de conferência dos votos, por qual motivo ela não expede a via do eleitor, para que ele mesmo a destaque, leve para casa e cobre dos governantes, acabando de uma vez por todas com o corriqueiro esquecimento existente a partir daquela pergunta: “o senhor se lembra em quem votou na última eleição?”.

O extrato do voto é mais homogêneo que o do tomate, mais verdadeiro do que o bancário e mais importante que o do cartão. Com “a minha via na mão”, posso acompanhar o cotidiano do político em que votei, acabando com as desculpas e exercendo uma parcela a mais na conta da cidadania. Conta, aliás, que todos pagam. Conta que poderia ser diluída, assim, como nas prestações, a partir de uma simples via, mas de extraordinários efeitos nas mãos de quem deseja um futuro político melhor.

Carta ao Gilson Aguiar

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Meu caro amigo Gilson,

                 Estive te acompanhando ontem no debate sobre o golpe militar de 1964 que aconteceu na Câmara Municipal de Maringá. E que evento! A Câmara entra na vanguarda das grandes discussões políticas atuais com eventos dessa alçada. Mas o que me chamou a atenção em sua fala não foi nada a respeito do golpe. Em dado momento, alguém questionou a ausência de comunistas na mesa, composta por você e pela brilhante Nelma de Oliveira. A pergunta também não me convenceu. Mas os caminhos que você indicou para a resposta sim. Segundo suas palavras, você sente saudade de um bom comunista, verdadeiro, e de um bom liberal também. Sente saudade do tempo em que as pessoas se posicionavam conscientemente. E eu também.

                Aí está a melhor sacada tua, Gilson Aguiar, na tarde de ontem. Você é um dos poucos não sociólogos que reservo o direito de exercer a profissão. Historiador que é, faz uma leitura conjuntural às vezes até melhor que meus colegas da área. E, sociólogo que sou, defendo nossa inserção no mercado de trabalho. Mas você, comprovadamente, tem minha permissão para falar em nosso nome. Voltando à sacada, eu também sinto a falta do posicionamento das pessoas.

                Discuto isso há semanas com meu amigo Saulo Justiniano. E acredito que nós três temos razão. Vivemos no mundo do politicamente correto, em que ser neutro se tornou modinha. Ir à crista da onda é o achado de viver da geração atual (e porque não da futura?). Fazemos tudo certinho, tudo regulamentado, numa moral bonita sem fim. Ser contra as minorias organizadas é ser conservador, reacionário. E ser a favor delas é ser revolucionário, extremista. Ser comunista é ser radical. Ser liberal é ser coxinha. E aí está contido também o papel do professor, caro Gilson, que deve prezar pela neutralidade sempre. Já dizia a Ana Lúcia Rodrigues que não encontramos moças virgens em “casas de caridade”. Ela me marcou com essa frase e você com a constatação do momento no dia de ontem.

                Por mais que vivemos em uma sociedade de rótulos, assumi-los virou tarefa perigosa. Quando os órgãos de comunicação fazem isso todos se indignam; quando os professores fazem isso, todos se levantam em favor do conhecimento; quando um técnico tira um atacante e escala um defensor, todos dizem que o futebol alegre acabou; quando eu escrevo isso, todos dirão que sou puxa-saco…Assim é a vida em sociedade em que vivemos: marcada pelos rótulos colocados pelas pessoas em nós mesmos (e, em inúmeras vezes, nem nós mesmos sabemos disso). E marcada, é claro, por rótulos que nem mesmo as pessoas sabem por que colocam…

                Em um cenário que nem se sabe mais o que é direita ou o que é esquerda (e se isso um dia existiu na política brasileira), se posicionar ficou perigoso. Em nome do papel institucional que temos que cumprir, as vozes se calam e o silêncio avassalador toma conta da sociedade. O cri-cri dos grilos tem mais valor do que as ideias articuladas dos humanos. E o não ter opinião (que é um modo de ter opinião) ganha o coro dos descamisados em nome da neutralidade. Ah, neutralidade esta que jamais existiu. Basta lembrar-se da Ana Lúcia. Basta lembrar-se do golpe militar. Basta lembrar-se da sua inquietude Gilson, da minha inquietude, da inquietude que desapareceu. Um grande abraço, Gilson.

Um tempo para não perder tempo

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Falar de cultura em Maringá é falar da história e da memória da cidade. Nos últimos anos, acompanhamos uma efervescência na área, como as iniciativas da Prefeitura Municipal (Convite ao Teatro, Convite à Música), do Cinema e Teatro na Universidade Estadual de Maringá, da Mostra de Teatro Contemporânea, do Festival de Cinema de Maringá, do Prêmio Aniceto Matti, do Femucic e de tantas outras realizadas por artistas, grupos e produtores culturais independentes.

Essa movimentação cultural demonstra a necessidade de ampliar o debate sobre o tema em Maringá. O acesso à cultura está sendo popularizado, as pessoas dedicam mais tempo para a cultura em seus momentos de lazer e todos buscam diversidade de opções de espetáculos culturais. Mas, será que Maringá está preparada e no tempo certo para absorver tanto anseio cultural?

Diante desta questão, constatamos que o aparelhamento cultural público disponível poderia ser melhor. Nem se cogita falar sobre os cinemas, que são exclusivamente produtos de um aglomerado lojista – os shopping centers.

Quando olhamos para as artes cênicas e eventos diversos, observamos que as opções de teatro são as mesmas desde o início da década de 1990, quando foram abertos os teatros Barracão e o Reviver e, mais adiante, em 1996, o Calil Haddad. Nas bibliotecas, a realidade não é diferente.

São pequenas as possibilidades de acesso aos livros nos bairros, com apenas quatro unidades. A Biblioteca Bento Munhoz da Rocha Netto foi transferida para outra instalação em 2012 e o atual prédio não tem nem sinal de reforma.

Outro indicador do nível de como anda a preservação cultural de Maringá são os bens tombados pelo patrimônio histórico. Somente quatro bens foram tombados pela legislação municipal: como bens materiais o Painel do Café, a Capela Santa Cruz e a sede da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sede da Secretaria Municipal de Educação); e como bem imaterial a Festa Junina do Seu Zico Borghi.

Já pelo patrimônio histórico do Estado do Paraná temos o Hotel Bandeirantes e a Capela São Bonifácio. E acredite: nem a Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória e nem o Monumento ao Desbravador (popularmente conhecido como Peladão), que fazem parte da cultura e do cotidiano do maringaense, foram tombados.

Este estático cenário do aparelhamento cultural do município é preocupante. Perdemos nos últimos anos a Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz, que, apesar de não funcionar como terminal de passageiros, poderia sim abrigar um espaço cultural, voltado essencialmente para que as pessoas manifestassem sua cultura através da música, do teatro, da dança, da leitura, entre outras.

E estamos com o Cine Teatro Plaza parado, ali, bem na região central de Maringá e de fácil acesso à população. A campanha “O Cine Teatro Plaza é Nosso” nos relembra que uma estrutura cultural protagonista até o começo deste século jamais pode ter o papel de coadjuvante.

O tempo de debater a cultura é agora. Não podemos perder o tempo e deixar que nossa cultura (material e imaterial) seja perdida nas linhas da história. O poder público precisa repensar a situação dos próprios públicos existentes e readequar estes locais – além de planejar construções futuras que realmente possibilitem o acesso e a utilização pela população, que deve ser ouvida e atendida em suas reivindicações. Afinal, a cultura da Maringá do futuro não pode ser construída sem considerar a Maringá do passado, pois a semente da valorização cultural já foi plantada, mas nem a semente nem a cultura dão certo se não houver um bom cultivo. O tempo de cultivo chegou. Basta não perdê-lo.

Publicado originalmente em: http://digital.odiario.com/cultura/noticia/815383/um-tempo-para-nao-perder-o-tempo/

O voto para deputado em Maringá e região

A importância do voto regional vem de longa data. Somente nas eleições de 2010, 55.686 votos para Deputado Federal e 43.292 votos para Deputado Estadual foram para candidatos de outros municípios que não residem em Maringá e região – o que fatalmente contribuiria para a eleição de mais um deputado para cada parlamento, ao menos.

No sistema eleitoral brasileiro estabelecido pela Constituição Federal de 1988 , existem dois tipos de organização para contabilização dos votos: majoritário ou proporcional. No sistema eleitoral majoritário, o (s) mais votado (s) são sempre os eleitos. Isto ocorre nas eleições para Prefeitos, Governadores, Presidente do Brasil e para o Senado, alternando-se as eleições de uma ou duas cadeiras a cada quatro anos.

Já no sistema eleitoral proporcional, há a eleição de Vereadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais. É nesta eleição que um Vereador irá representar um bairro, por exemplo – algo muito comum em um município como Maringá, contando com 385 mil habitantes e que normalmente o parlamentar representa um restrito grupo de eleitores.

É no sistema eleitoral proporcional que iremos eleger em 2014 os Deputados Federais e Estaduais. Neste sentido, espera-se que os eleitos tenham alguma afinidade com os moradores de uma cidade, de uma determinada região, já que é muito difícil e custoso para um candidato a deputado fazer campanha em todo o Estado do Paraná, que conta com 399 municípios e mais de 12 milhões de habitantes.

A cidade tem, historicamente, elegido Deputados Estaduais e Federais, algo freqüente quando nos debruçamos sobre a história política maringaense. A tabela a seguir demonstra, período a período, quem foram os eleitos por Maringá:

Deputados Federais e Estaduais eleitos por Maringá

Legislatura

Deputado Estadual

Deputado Federal

1959/1962 Neo Alves Martins
1963/1966 Túlio Vargas / Haroldo Leon Peres Renato Celidônio
1967/1970 Jorge Sato / Silvio Barros / Túlio Vargas Haroldo Leon Peres / João Paulino Vieira Filho
1971/1974 Jorge Sato / Wilson Brandão Ary de Lima / Silvio Barros / Túlio Vargas / Ardinal Ribas
1975/1978 Antonio Facci / Jorge Sato / Luiz Gabriel Sampaio / Walter Pietrângelo / Renato Bernardi Adriano Valente / Walber Guimarães / Túlio Vargas
1979/1982 Antonio Facci / Renato Bernardi / Walter Pietrângelo /  Luiz Gabriel Sampaio Walber Guimarães / Adriano Valente
1983/1986 Tadeu França / Ferrari Jr / Luiz Gabriel Sampaio Renato Bernardi / Walber Guimarães
1987/1990 Antonio Barbara / Ferrari Jr / José Alves dos Santos / Lindolfo Jr Tadeu França / Renato Bernardi
1991/1994 João Preis / José Alves dos Santos Said Ferreira / Antonio Barbara / Amauri Meneguetti
1995/1998 Marquinhos Alves / Emerson Nerone / Joel Coimbra Odílio Balbinotti / Valdomiro Meger / Ricardo Barros
1999/2002 Serafina Carrilho / Ricardo Maia / Divanir Braz Palma / Sidnei Telles Ricardo Barros / Odílio Balbinotti / Valdomiro Meger
2003/2006 Cida Borghetti / Luiz Nishimori Odílio Balbinotti / Ricardo Barros
2007/2010 Dr. Batista / Enio Verri / Wilson Quinteiro / Cida Borghetti Ricardo Barros /  Odílio Balbinotti
2011/2014

Evandro Junior / Dr. Batista / Wilson Quinteiro / Enio Verri

Luiz Nishimori / Cida Borghetti / Edmar Arruda / Odílio Balbinotti

Fonte: TSE

         Como exposto, há uma tradição eleitoral em eleger representantes maringaenses, algo que ao longo dos anos tem sido comprovada. Todavia, com a ampliação do eleitorado, a pulverização da propaganda eleitoral em diversas mídias e segmentos e a possibilidade de articulação política com candidatos de outras regiões, faz-se necessário relembrar que não há ninguém melhor para representar os anseios de um município do que seu próprio morador.

Considerando as três últimas eleições proporcionais estaduais (2002,2006 e 2010), verificamos que é possível eleger, no mínimo, mais um deputado por Maringá em cada bancada, como visto na tabela abaixo:

Quantidade de votos de Maringá para candidatos fora do domicílio eleitoral local

Eleição Federal Estadual
2002 59.312 (34%) 60.819 (34%)
2006 50.888 (27%) 53.147 (28%)
2010 56.586 (30%) 43.292 (23%)

Fonte: VALENCIANO, Tiago (2013).

       Estes dados nos demonstram que é possível eleger ao menos um e até dois Deputados Estaduais e ao menos alavancar uma candidatura a Deputado Federal. Nosso argumento é de que estes votos para candidatos que residem fora de nossa cidade, de nossa região, ajudaram a elegê-los – e muitas vezes atrapalharam os candidatos daqui.

       Portanto, valorizar dos candidatos de Maringá, que há muitos anos residem aqui e conhecem as demandas do Município e da região, é algo inerente ao processo eleitoral de 2014. São os nossos candidatos que irão nos representar, problematizando questões que são de interesse regional, visando o desenvolvimento da Região Metropolitana de Maringá e também dos municípios ao redor. Somente assim podemos debater e ampliar a discussão dos problemas que atingem diretamente nosso município, nossa região, possibilitando que políticas públicas sejam elaboradas em conjunto, atendendo a demanda de toda a população.