O pós-moderno na política

Clap, Clap, Clap. Somente palmas. Já que por aqui não dá pra inserir os famosos emojis, recorremos a uma onomatopeia para exprimir as palmas. É isto que os políticos, em geral, buscam: palmas. Mais do que vaias ou ofensas, o interesse no prestígio constante e no reconhecimento (pelo eleitorado e pela mídia, sobretudo), refletem há anos a prática política no Brasil. “Um político deve sempre buscar palmas de sua plateia”, diria qualquer consultor na área. A claque deve estar sempre posicionada para tal.

Chegamos em um momento que as palmas deveriam ser deixadas de lado. O Brasil precisa atravessar por revoluções (mais do que uma simples reforma em que se mudam os móveis e pintam as paredes). A insatisfação com o cenário político nacional tem deixado a claque cada vez menor e a fúria a cada dia maior. Entretanto, isto parece que não ocorre no Poder Legislativo.

Observe a votação de qualquer projeto polêmico, em que a Câmara dos Deputados irá ampliar ou garantir direitos, beneficiar uma classe, por exemplo. Se há um grupo de pressão no parlamento, até mesmo àqueles que não defendem tal segmento solicitam a palavra para discursar, apenas buscando o imediato reconhecimento com muitos “claps”. Quanto mais inflamado – mesmo que não se conheça determinado assunto, mais palmas. É o velho jogo do “finge que me ama, que eu finjo que acredito”.

Stuart Hall, autor que aprecio, disse em “A identidade cultural na pós-modernidade” que vivemos na era do sujeito pós-moderno, aquele fluido, que assume uma diversidade de identidades culturais, pronto para se adaptar de acordo com cada situação. Se um Deputado Federal é contra o sindicato em determinada votação, por exemplo, ele na hora está apto a defendê-lo; se ele é a favor, se aproveita para garantir mais palmas, em um discurso inflamado.

Se isto vai se transformar em votos só o tempo dirá. A advertência que deixo é que os tempos estão mudando. A perda da ideologia na sociedade pós-moderna/globalizada fará com que pagamos um alto preço. A popularidade virtual via redes sociais ou pessoal via palmas pode deixar de existir (assim esperamos). O jogo do “engana-engana” só acaba quando, de fato, nos preocuparmos em conhecer quem nos representa, na velha, manjada, porém sempre atual questão da ciência política: afinal, quem governa?

Referência bibliográfica indicada:

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 10a ed. Rio de janeiro: dp&a; 2005.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s