Você finge que me ama e eu que acredito

Poderíamos utilizar este título para descrever mais uma canção sertaneja tocada nas rádios do Brasil. Ou até mesmo um episódio de uma bonita história de amor. Mas é justamente este sentimento que ficou entre a Presidente da República, Dilma Rousseff (PT) e o Vice-Presidente, Michel Temer (PMDB). Esta frase resume a ruptura com os aliados do projeto político implementado pelo Partido dos Trabalhadores nos últimos anos.

A aliança formada com o PMDB, PSD, PP, PR, PROS e PRB para as eleições de 2014 foi rompida definitivamente na votação pela admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados ontem (17 de abril). A maioria dos parlamentares destes partidos que, até dias atrás eram aliados de Dilma e do PT, se voltaram contra o governo, demonstrando a fragilidade de articulação política instaurada no comando do Poder Executivo.

Além de soar como uma possível traição, outros indícios podem demonstrar a saída em massa do bloco de apoio do Governo Federal, como a operação Lava Jato, a eclosão do “mensalão” e a crise econômica, explicada para estes como o fim da distribuição das verbas federais, que tanto “cativavam” estes parlamentares. Aliado a isto, o Vice-Presidente Michel Temer capitalizou para a si a crise política, negociando cargos  e organizando seu “futuro governo”.

O resultado não poderia ser diferente: um pragmatismo político puro, à brasileira, fatalmente presente nos momentos decisivos da história política destes parlamentares. Acreditar no PMDB e em partidos que migram de acordo com o governo em questão é o alto preço a ser pago pelos governos no país  nos últimos 20 anos. O resultado está aí: a necessidade da manutenção do presidencialismo de coalizão, figura que surge à tona quando invocamos estes debates.

Os rumos da política do país estão indefinidos para os próximos dias. Os ingredientes que levaram à receita final do impeachment foram colocados no forno, o que produzirá um amargo bolo para alguns, sem consistência e queimado nas bordas. Para outros, o doce do chantilly ainda virá, sendo a ponta de uma massa ainda sem consistência. Resta-nos saber para quem ficará o primeiro pedaço do bolo desta bonita história de amor: para a noiva, para o noivo ou para os convidados, que sempre bancam os presentes da festa.

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