Sociologia no tempo das redes sociais

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Há alguns dias, venho discutindo com amigos e alunos a relação entre as redes sociais e a sociologia. Desde a pulverização das mesmas, as pessoas mantém um relacionamento quase que instantâneo, em mundo virtual que nem sempre reflete os fenômenos da realidade. Mas, qual é então a contribuição que a sociologia proporciona aos atuais acontecimentos, na sociedade globalizada e porque não virtualizada?

As redes sociais aí estão e desde o primata Fotolog, uma ferramenta voltada para a publicação e comentários de fotos na internet. A grande dificuldade que víamos nele era o meio de acesso à internet (normalmente discada) e a tensão entre tirar e escanear as fotos, pois ter uma câmera digital na época era privilégio de poucos. Após o sepultamento do Fotolog e a transição para o MSN – rápido e direto na comunicação, o orkut chegou, imperando durante anos com suas comunidades, scraps e depoimentos. Digo que o mais divertido no orkut era ser “100% sexy”, muito melhor do que ser “100% confiável”.

A transição no modo de comunicação entre o orkut e o Facebook foi o Twitter, que por pouco tempo em 140 caracteres apareceu como alternativa à comunicação instantânea. Todavia, ele emplacou mais entre artistas, jornalistas e políticos no Brasil, não aderido à grande parcela da população. De 2011/2012 para cá, o Facebook passou a reinar entre os brasileiros. Com alternativas entre linha do tempo, fotos, vídeos e interatividade real, o Face popularizou os termos curtir, compartilhar e interagir.

Da virada de 2013 para 2014, os jovens passaram a procurar alternativas ao Facebook, invadido por seus pais e por todos, consequentemente. Surgiram o Instagram e o Snapchat, por exemplo. O primeiro, aplicativo destinado ao compartilhamento de fotos e vídeos curtos, é febre entre a moçada; o segundo vem no mesmo estilo, mas em um estilo “chat por fotos”, bem original e rápido. Por fim, vimos o WhastApp, tomando conta dos smartphones e disseminando a comunicação em rede no país – marcado pelas altas tarifas das companhias telefônicas.

O que desejo mostrar neste artigo é que fazemos sociologia o tempo todo. Assim como as redes sociais, a sociologia é dinâmica, se alterando conforme a ocasião e analisando os fenômenos que a sociedade produz de maneira diferente. Isto é, para a sociologia, olhar as ações sociais e vê-las estáticas, pouco dinâmicas, quase que naturais, não interessam: é preciso olhar para além da normalidade dada, visualizando situações deste tipo, em que as pessoas estão em constante comunicação e se relacionando entre si, discutindo assuntos do momento que passam despercebidos pela maioria da população.

Deste rápido exercício, podemos enxergar que a sociologia está presente em todas as nossas ações, em nosso cotidiano. Basta olharmos mais ao nosso redor, em um processo de estranhamento do mundo em que nada é dado como simples, direto, mas sim complexo e que leva uma gama de relações sociais implícitas. Vejamos mais nossa realidade social, considerando que mais do que virtuais, as redes sociais são uma maneira de exemplificar o que a sociologia faz: analisar os assuntos (ou fenômenos sociais) do momento, demonstrando que nada parece ser tão simples do que realmente é…

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