Um tempo para não perder tempo

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Falar de cultura em Maringá é falar da história e da memória da cidade. Nos últimos anos, acompanhamos uma efervescência na área, como as iniciativas da Prefeitura Municipal (Convite ao Teatro, Convite à Música), do Cinema e Teatro na Universidade Estadual de Maringá, da Mostra de Teatro Contemporânea, do Festival de Cinema de Maringá, do Prêmio Aniceto Matti, do Femucic e de tantas outras realizadas por artistas, grupos e produtores culturais independentes.

Essa movimentação cultural demonstra a necessidade de ampliar o debate sobre o tema em Maringá. O acesso à cultura está sendo popularizado, as pessoas dedicam mais tempo para a cultura em seus momentos de lazer e todos buscam diversidade de opções de espetáculos culturais. Mas, será que Maringá está preparada e no tempo certo para absorver tanto anseio cultural?

Diante desta questão, constatamos que o aparelhamento cultural público disponível poderia ser melhor. Nem se cogita falar sobre os cinemas, que são exclusivamente produtos de um aglomerado lojista – os shopping centers.

Quando olhamos para as artes cênicas e eventos diversos, observamos que as opções de teatro são as mesmas desde o início da década de 1990, quando foram abertos os teatros Barracão e o Reviver e, mais adiante, em 1996, o Calil Haddad. Nas bibliotecas, a realidade não é diferente.

São pequenas as possibilidades de acesso aos livros nos bairros, com apenas quatro unidades. A Biblioteca Bento Munhoz da Rocha Netto foi transferida para outra instalação em 2012 e o atual prédio não tem nem sinal de reforma.

Outro indicador do nível de como anda a preservação cultural de Maringá são os bens tombados pelo patrimônio histórico. Somente quatro bens foram tombados pela legislação municipal: como bens materiais o Painel do Café, a Capela Santa Cruz e a sede da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sede da Secretaria Municipal de Educação); e como bem imaterial a Festa Junina do Seu Zico Borghi.

Já pelo patrimônio histórico do Estado do Paraná temos o Hotel Bandeirantes e a Capela São Bonifácio. E acredite: nem a Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória e nem o Monumento ao Desbravador (popularmente conhecido como Peladão), que fazem parte da cultura e do cotidiano do maringaense, foram tombados.

Este estático cenário do aparelhamento cultural do município é preocupante. Perdemos nos últimos anos a Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz, que, apesar de não funcionar como terminal de passageiros, poderia sim abrigar um espaço cultural, voltado essencialmente para que as pessoas manifestassem sua cultura através da música, do teatro, da dança, da leitura, entre outras.

E estamos com o Cine Teatro Plaza parado, ali, bem na região central de Maringá e de fácil acesso à população. A campanha “O Cine Teatro Plaza é Nosso” nos relembra que uma estrutura cultural protagonista até o começo deste século jamais pode ter o papel de coadjuvante.

O tempo de debater a cultura é agora. Não podemos perder o tempo e deixar que nossa cultura (material e imaterial) seja perdida nas linhas da história. O poder público precisa repensar a situação dos próprios públicos existentes e readequar estes locais – além de planejar construções futuras que realmente possibilitem o acesso e a utilização pela população, que deve ser ouvida e atendida em suas reivindicações. Afinal, a cultura da Maringá do futuro não pode ser construída sem considerar a Maringá do passado, pois a semente da valorização cultural já foi plantada, mas nem a semente nem a cultura dão certo se não houver um bom cultivo. O tempo de cultivo chegou. Basta não perdê-lo.

Publicado originalmente em: http://digital.odiario.com/cultura/noticia/815383/um-tempo-para-nao-perder-o-tempo/

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