Em Novembro de 1967…

Nesta semana, no auditório da ACIM, foi lançado o livro “Sala dos suplícios: dossiê do caso Clodimar Pedrosa Lô”, de autoria de Miguel Fernando. Estive presente no lançamento com meu amigo Max (um apaixonado por questões policiais e de segurança pública) e, junto comigo, as perguntas que não calavam: por que, após 43 anos, o caso do menino Lô ainda leva tantos curiosos a conhecer a história do mesmo? Seriam estes jovens estudantes de direito? – questionava uma senhora presente; Ou o contexto dos crimes realmente foram os mais importantes da história de Maringá?

Destas perguntas, ainda faltava a minha: porque o caso foi/é tão intrigante? Clodimar foi brutalmente assassinado por policiais, após ser acusado de roubar um hóspede no Palace Hotel, local onde trabalhava como espécie de “faz tudo”. O crime mobilizou a sociedade maringaense na época e, pouco tempo depois, o pai do menino viria a assassinar Atílio Farris, gerente do hotel. Sebastião (pai de Clodimar) foi absolvido e seu advogado, Eli, até vereador se tornou.

Pela comoção popular e a inocência do menino, Clodimar se tornou um “santo popular”, pois desde sua morte muitas pessoas começaram a atribuir graças e milagres conquistados a ele. Em seu túmulo, no Cemitério Municipal de Maringá, diversas placas por graças recebidas estão afixadas, além da constante visitação.

Em narrativa simples e envolvente, Miguel Fernando consegue em pouco mais de cem páginas demonstrar ao leitor (ainda que não conhecesse o caso) o modo brutal que os policiais ceifaram a vida de Clodimar. Nestas, ressalto a contextualização histórica feita pelo autor, imergindo-nos no período de ditadura militar por qual o país atravessava e todos os procedimentos de tortura da época.

Por toda a mística que envolve o caso, o livro de Miguel é um excelente retrato do crime de maior impacto na história da cidade. Para os que já conhecem, vale relembrar e compreender os detalhes do ocorrido; para os que não conheciam Lô e sua curta trajetória, recomendo a leitura da obra, um importante instrumento de resgate e preservação da história maringaense.

Publicado originalmente no “Jornal do Povo”, em 26/11/2010

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