As cabeças de Jabulani

“Cabeça de Jabulani tem ar ao invés de cérebro.” Estas palavras foram escritas pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB) cinco dias atrás via twitter. O termo é fácil de explicar: leve e sem costuras – portanto com trajetória variável – Jabulani é o nome da bola oficial utilizada na Copa do Mundo deste ano, da África do Sul. Quem tem cabeça de bola tem ar dentro da mesma e, para que todo este ar entre, é preciso que o cérebro seja retirado. Mais uma vez, Requião foi sábio nas palavras e esta frase explica as reviravoltas políticas dos últimos dias, marcada pelas “cabeças de Jabulani”.

No quadro nacional, nada tão variável quanto à escolha do vice de José Serra (PSDB), o Deputado Federal Índio da Costa (DEM). Finalmente essa novela terminou. O que ficou evidente é a crise interna na coligação de Serra, com cada partido reivindicando seu espaço. A campanha nem começou e parece que as brigas por vaidades pessoais são maiores que o objetivo que os unem – que é eleger o candidato à presidência. Além disso, as declarações dadas por Índio logo após o anúncio de sua candidatura demonstram a desarticulação da chapa, um processo eleitoral mal conduzido e que tem cara de eleição para grêmio estudantil – e que me perdoem os estudantes.

No Paraná, as coisas não foram diferentes. Beto Richa (PSDB) era o único candidato confirmado, apenas faltando escolher a vice, que ficou com Flávio Arns (PSDB), Ricardo Barros (PP) para o Senado e a confirmação de Gustavo Fruet (PSDB) para a segunda vaga.

As maiores indefinições pairaram sob a candidatura de Osmar Dias (PDT), que confirmou ontem a coligação com o PMDB (rifando Pessutti) e com o PT (que almeja apenas eleger Gleisi Senadora). As mudanças em torno da candidatura de Osmar também criaram uma novela mexicana, muito maior que a de Serra. Quem acompanha os noticiários pode perceber que em um curto intervalo de tempo, Osmar era candidato ao Governo e logo depois era candidato ao Senado.

Todas essas alterações são típicas da política. Todavia, o ensaio foi pouco combinado, o que deixa transparecer as rachaduras de uma construção sem alicerces e pouco confiável por parte da população. As cabeças de Jabulani imperaram nesse jogo e fatalmente a bola mais temida de todos os tempos causará estragos para os próprios jogadores – e não para as defesas adversárias.

Publicado Originalmente no Jornal do Povo em 01/07/2010

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