Torcidas Organizadas em Maringá como forma de lazer

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Na abordagem acerca do lazer e diversão durante a adolescência, esbarramos desde já na primeira divergência para caracterização da faixa compreendida para a mesma. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o adolescente se encontra entre os dez e vinte anos de idade. Todavia, utilizaremos a distinção concebida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o qual situa os adolescentes na faixa entre os doze e dezoito anos.

Após esta distinção de quem realmente participa desta etapa do desenvolvimento humano, constituímos o recorte dos adolescentes que vivem em Maringá. Fundada pela Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná, a “Cidade Canção” (alcunha dada em alusão à música ‘Maringá, Maringá’, que batizou a cidade) possui cerca de 330 mil habitantes.

Segundo a pesquisa “Retrato Maringá 2006”, realizada pela JGV Pesquisa de Mercado e Opinião, a principal atividade de lazer do jovem maringaense é ouvir música.No entanto, para a questão do lazer associado ao esporte, a maior torcida de um time de futebol – a modalidade mais popular no Brasil, pertence ao Corinthians (33,3%), contra 17,1% do Santos, 15,3% do Palmeiras e 10,8%. Apenas 5,4% das pessoas declararam torcer por times do Rio de Janeiro e 18% para nenhum time. E, na mesma pesquisa, 40,5% “concordam totalmente” que a cidade possui ótimas áreas de lazer.

         A questão “futebol” em Maringá é uma discussão pautada por vários caminhos ao longo do tempo. Verdade imutável na trajetória do esporte bretão na cidade é o Estádio Regional Willie Davids, o único palco dos jogos desde a implantação futebolística na “Cidade Canção”. Entre os caminhos das diversas equipes, aquela onipresente na memória do torcedor é o chamado Grêmio Maringá. Fundado em 1961 com a alcunha de Grêmio Esportivo Maringá, foi Campeão Paranaense em 1963 e 1964. Desativado em 1971, retornou em 1974, com o nome Grêmio de Esportes Maringá, sagrando-se Campeão Paranaense de 1977. Outra vez sepultado em 2005, o GEM agora existe somente como nome fantasia, de um time vendido e parado futebolisticamente.

Não detalhando historicamente os demais times, após esta saída de cenário do Grêmio, surge em 2005 a Sociedade União Esportiva Maringá, com o nome fantasia “Galo Maringá”, em alusão à mascote do GEM, o Galo. Não durou muito, o Galo Maringá 23 funde-se em 2006 com a Associação Desportiva Atlética do Paraná, a ADAP, firmando-se com o nome ADAP/Galo Maringá Futebol Clube. Pelo exposto até o presente, há de se justificar a nebulosidade de siglas e equipes que representaram Maringá no cenário do futebol Estadual e Nacional. Por caracterizar uma atividade de lazer, o futebol nos estádios sempre empenhou multidões, dentre elas, os jovens e adolescentes.

Normalmente relacionadas à desordem e violência, as torcidas organizadas surgiram na década de 40, com o Flamengo e o Vasco da Gama, ambos do futebol carioca. Segundo Carlos Alberto Máximo Pimenta, o comportamento dos torcedores nos estádios mudou:

Dos anos 80 para cá, sabe-se que, no Brasil, o comportamento do torcedor nas arquibancadas dos estádios de futebol modificou-se consideravelmente. Isso se deu pelo surgimento de configurações organizativas com característica burocrática/militar, fenômeno essencialmente urbano que cria uma nova categoria de torcedor, ou seja, o chamado “torcedor organizado.(PIMENTA, 2000, p. 123.)

Todavia, não analisaremos esse aspecto em certo ponto “violento” das torcidas, mas sim uma fuga para o lazer e diversão com os demais membros. O que caracterizam as torcidas organizadas ou uniformizadas são o nome (muitos imitados), o uniforme e os cantos, entoados durante as partidas. Essa identidade visual e sonora cria uma mística nos estádios, algo que somente quem assiste aos jogos consegue perceber, seja ao vivo ou por aparelhos de tv.

Ainda nas questões referentes à realidade de Maringá, a ADAP/Galo Maringá conta atualmente com três torcidas organizadas: “Galo Terror”, “Fúria Alvinegra” e “Torcida Jovem”. Contaremos de forma resumida a história das três torcidas. Por fim, há a entrevista com Gustavo Bordini, um dos integrantes da “Galo Terror”.

A torcida “Galo Terror” foi fundada em 10 de Abril de 1989 e é mais velha até que o próprio clube apoiado. As cores oficiais são preto e amarelo e para participara basta contribuir com a taxa de R$ 5,00 mensais. O lema é “Acima de nós, só Deus”, posicionando-se nas arquibancadas ao lado esquerdo das vista das cabines de transmissão do estádio. Atualmente, o site está em manutenção e apenas a comunidade na rede de relacionamentos “orkut” é mantida, contando com cerca de 500 participantes. Nela, são 24 debatidos tópicos relacionados à confecção de camisetas, viagens para acompanhar o time e a atuação do time como um todo.

Já a “Fúria Alvinegra” posiciona-se ao lado direito a partir da vista das cabines de transmissão. Fundada em 01 de Novembro de 2006, é recente e surgiu no bojo do relançamento da equipe, após a fusão com a ADAP. Na comunidade da torcida, cerca de 800 participantes e as discussões estão em torno da futura sede. Também pode se orgulhar de contar com mais membros no estádio, apoiando a equipe. O lema é “Com o Galo, sempre”.

Por fim, a terceira e última é a “Torcida Jovem”, fundada em 5 de Fevereiro de 2007 e conta com uma particularidade: é a única torcida organizada que assiste aos jogos nas cadeiras do estádio. O lema é “Torcida Jovem é Força, Dedicação e União” e conta com membros no início da adolescência, faixa etária de 12 a 14 anos, essencialmente. Em sua comunidade congrega proximadamente 200 adeptos e as cores são preto e branco. No site (http://torcidajovem.no.comunidades.net/) aceitam-se inscrições para participação na mesma e conta com uma seção apenas para os “gritos” (cantos) entoados no estádio.

Devidamente apresentadas, optamos por entrevistar um membro da torcida organizada “Galo Terror”, tratando-se da mais antiga e de mais tradição nas arquibancadas do Willie Davids. Assim, segue na íntegra a entrevista com Gustavo Bordini, membro da torcida organizada Galo Terror e mantenedor de um site específico para a torcida da ADAP/Galo Maringá, o http://www.torcedoresdogalo.com:

Tiago Valenciano – Porque você participa de uma torcida Organizada?

Gustavo Bordini – Quando comecei a ir ao estádio, isso em 1999 eu ia acompanhado do meu pai e sempre assisti aos jogos nas cobertas. Já a partir de 2005 ainda com meu pai comecei a freqüentar a “turma do sol” e assistia aos jogos sentado, quando muito levantava na hora do gol. Mas comecei achar aquilo muito desanimado e fui atraído pelo “batuque” da Galo Terror e me interessou aquele modelo de torcer, cantando e pulando e ainda em 2005 já entrei para a torcida.

TV – Quais os benefícios na sua participação na torcida?

GB – Antes eu participava da torcida. Só me fazia presente para torcer. Hoje trabalho em prol da Galo Terror e meu maior benefício é ver a satisfação dos associados. O corpo diretivo da organizada busca oferecer uma festa não só ao time, mas para todos que freqüentam a Terror. Nossa satisfação maior é ver que pudemos proporcionar uma festa legal para todos que se fizeram presente. Não espero qualquer tipo de lucro com a Galo Terror, não existe dinheiro que pague um agradecimento de um sócio. A satisfação de nossos companheiros não tem preço.

TV – É, de fato, uma excelente opção para seu lazer?

GB – Sem dúvidas. Entrei para a organizada para pular e cantar. Para mim isso é lazer. Acho que hoje não consigo assistir a um jogo de futebol sentado. Não troco um jogo do Galo por nada nesse mundo.

TV – Qual a média de idade do pessoal que participa da Galo Terror?

GB – A idade fica em uma média de 16 a 25 anos. Grande parte da torcida são pessoas de idade aproximada há 25 anos, mas nos últimos anos muitos jovens estão entrando para a organizada. Hoje temos ali crianças de 14 anos até associados de mais de 40 anos. Varia muito. A tendência é a média cair. Muitos saem da torcida para fazer a vida, ao mesmo tempo em que muitos jovens despertam interesses em participar da Galo Terror.

TV – Quais as relações que vocês mantêm com as demais torcidas

organizadas, seja em Maringá e no país? Quais as boas e as ruins?

GB – Em Maringá. Nossa relação com a Fúria Alvinegra é razoável. Não existe uma grande amizade entre ambas, mas sim respeito. No Paraná. Sempre fomos bem recebidos em Cianorte. Embora não haja qualquer relação com a Ira do Leão, nunca tivemos problemas no Albino Turbay. Temos grande respeito pela Império do Coritiba, isso desde a gestão 2005/Fevereiro 2007 do ex-presidente da torcida que é da Império Alviverde. A relação sempre será a pior possível quando tratamos em: Falange Azul do Londrina, Caldeirão do Paranavaí, Os Fanáticos do Atlético e Serpente Tricolor do Cascavel. No Brasil. Temos boas relações com as organizadas do Noroeste de Bauru e Galoucura do Atlético Mineiro.

De fato, além de considerar a participação na torcida organizada como passatempo, nosso entrevistado vive a paixão despertada pelo futebol. O lazer na organizada supõe pular, cantar e dançar. É uma festa, a qual somente (ou talvez não) uma má atuação do time pode propiciar. No entanto, integrar uma torcida organizada em uma cidade onde frequentemente são realizadas partidas de futebol como Maringá é uma opção de passatempo e diversão dos adolescentes, despertando múltiplas emoções durante os jogos.

BIBLIOGRAFIA

PIMENTA, C.A.M. Violência entre torcidas organizadas de futebol. São Paulo

Perspec., Jun 2000, vol.14, no.2, p.122-128.

RETRATO Maringá 2006. In: JGV Pesquisas de Mercado. Retrato Maringá. 2006.

Disponível em: <http://www.flaviovicente.com.br/retrato.html&gt; . Acesso em: 19 novembro 2007.

GRÊMIO de Esportes Maringá. In: Tudo Maringá. Tudo Futebol. 2007. Disponível em: <http://www.tudomaringa.com/tudofutebol/index.htm&gt;. Acesso em: 19 Novembro 2007.

Foto: http://www.adapgalomaringa.com.br

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2 pensamentos sobre “Torcidas Organizadas em Maringá como forma de lazer

  1. por favor, saberia me informar se há torcida organizada do gremio futebol clube do rs em maringá? gostaria de possíveis contatos. obrigado
    mariluce

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