5 livros para entender a política

Não é novidade que estou há anos pesquisando a política. Para facilitar a vida das pessoas que querem conhecer mais esta fascinante matéria, listei 5 livros que vão te ajudar nesta tarefa. São livros de meu cotidiano, que não costumam falhar nas referências bibliográficas quando escrevo. Vamos lá?

1 – Política Brasileira: como entender o funcionamento do Brasil (Tiago Valenciano / Rafael Egidio Leal e Silva)

O livro é de minha autoria em parceria com o amigo e Professor do IFPR Rafael Egidio Leal e Silva. A ideia foi criar um guia de “iniciação” para a política, válida para estudantes do ensino médio como os do superior. Tratando temas como as eleições, criação de partidos políticos, ideologias e sistema político brasileiro, indico o livro para quem quiser começar a entender as peculiaridades da política nacional. Compre aqui.

2 – O príncipe (Nicolau Maquiavel)

Obra clássica para entender o “modus operandi” da política, indico a edição da Editora Hedra, que tem um excelente prefácio comentado pelo Prof. José Antônio Martins. A edição é bilíngue (português e italiano), o que facilita na compreensão de algumas palavras-chave utilizadas por Maquiavel. Além disso, os comentários efetuados por quem estuda a filosofia política auxiliam no entendimento do universo do autor.

3 – Na teia do Nepotismo (Ricardo Costa de Oliveira)

A tese do Prof. Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR, é muito simples: a família ainda importa nas relações sociais e políticas do Brasil. A análise e a investigação do fenômeno do nepotismo são duas das tarefas principais da sociologia política. Identificar e reconhecer a história e atuação das famílias políticas é percorrer os caminhos secretos e a genealogia dos próprios poderes. Na teia do nepotismo é mais uma contribuição para se pensar na política e o poder no Paraná e Brasil. Compre Aqui.

4 – Representantes de Quem? (Jairo Marconi Nicolau)

Lançado em 2017, o último livro de Jairo Marconi Nicolau, da IUPERJ, auxilia na compreensão do sistema político brasileiro, respondendo questões fundamentais do sistema de voto proporcional, relativamente à Câmara dos Deputados. De leitura simples e agradável, o autor concilia a rigidez da pesquisa acadêmica com a facilidade no entendimento do texto.

5 – O Livro da Política (Editora Globo)

Um livro “coringa”, que trata de diversos conceitos relacionados à política, além de efetuar uma excelente viagem pelas ideologias e pensadores políticos ao longo da história. Direcionado para o público em geral, a tradução e publicação (organizada pela Editora Globo) reforça a ideia de “linha do tempo” da política, podendo ao leitor comparar as diversas vertentes do pensamento político.

1989: o retorno

presidenciaveis-1989A eleição do último domingo (2) para Prefeitos e Vereadores no Brasil foi ótima para lembrarmos do passado, mas sem perder de vista o que o futuro aponta. Renascido pós-impeachment, o PSDB foi um dos maiores vitoriosos, ao passo que o desgastado PT saiu bem menor do que entrou. De fato, desde 1989, com a entrada de Fernando Collor de Mello no poder via Presidência da Republica nao víamos uma guinada tão evidente à direita no Brasil.

Interessante notar é que o protagonismo tucano é marcado, sobretudo, pelo renascimento na chamada “Nova Direita”, fruto das manifestações de rua no país a partir de 2013, defendendo várias causas – inclusive a saída de Dilma Rousseff e do PT do poder.

Gostando ou não, este movimento deve ser considerado para as eleições gerais de 2018, em que a tendência da população em esperar o posicionamento claro dos políticos deve se manter. Este fato pode auxiliar na explicação do sucesso eleitoral de candidatos liberais e conservadores, que “saíram do seu universo particular” e resolveram expor suas opiniões. Resta-nos esperar a dimensão desta curvatura e se quem a dirige será capaz de manter o rumo da proa. Ou, então, esperar um naufrágio, algo inesperado na atual conjuntura do cenário político nacional.

Você finge que me ama e eu que acredito

Poderíamos utilizar este título para descrever mais uma canção sertaneja tocada nas rádios do Brasil. Ou até mesmo um episódio de uma bonita história de amor. Mas é justamente este sentimento que ficou entre a Presidente da República, Dilma Rousseff (PT) e o Vice-Presidente, Michel Temer (PMDB). Esta frase resume a ruptura com os aliados do projeto político implementado pelo Partido dos Trabalhadores nos últimos anos.

A aliança formada com o PMDB, PSD, PP, PR, PROS e PRB para as eleições de 2014 foi rompida definitivamente na votação pela admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados ontem (17 de abril). A maioria dos parlamentares destes partidos que, até dias atrás eram aliados de Dilma e do PT, se voltaram contra o governo, demonstrando a fragilidade de articulação política instaurada no comando do Poder Executivo.

Além de soar como uma possível traição, outros indícios podem demonstrar a saída em massa do bloco de apoio do Governo Federal, como a operação Lava Jato, a eclosão do “mensalão” e a crise econômica, explicada para estes como o fim da distribuição das verbas federais, que tanto “cativavam” estes parlamentares. Aliado a isto, o Vice-Presidente Michel Temer capitalizou para a si a crise política, negociando cargos  e organizando seu “futuro governo”.

O resultado não poderia ser diferente: um pragmatismo político puro, à brasileira, fatalmente presente nos momentos decisivos da história política destes parlamentares. Acreditar no PMDB e em partidos que migram de acordo com o governo em questão é o alto preço a ser pago pelos governos no país  nos últimos 20 anos. O resultado está aí: a necessidade da manutenção do presidencialismo de coalizão, figura que surge à tona quando invocamos estes debates.

Os rumos da política do país estão indefinidos para os próximos dias. Os ingredientes que levaram à receita final do impeachment foram colocados no forno, o que produzirá um amargo bolo para alguns, sem consistência e queimado nas bordas. Para outros, o doce do chantilly ainda virá, sendo a ponta de uma massa ainda sem consistência. Resta-nos saber para quem ficará o primeiro pedaço do bolo desta bonita história de amor: para a noiva, para o noivo ou para os convidados, que sempre bancam os presentes da festa.

O muro de Brasília

O “muro do impeachment” instalado na capital federal – a poderosa Brasília, reflete uma questão que nós, brasileiros, precisamos aprender a conviver melhor: as disputas políticas e ideológicas instauradas a partir do sistema democrático. A tentativa de separação entre os manifestantes favoráveis e contrários ao impedimento da Presidente da República Dilma Rousseff (PT), nos faz perguntar: para qual caminho a democracia brasileira caminhará?

A atitude de implantação de uma separação defronte ao Congresso Nacional reflete a preocupação em possíveis embates dos grupos distintos. Porém, mais do que a divisão de torcidas – tão comum em estádios de futebol, transportada para a arena de debates da política, precisamos aproveitar esta oportunidade e aprofundar a discussão sobre a qualidade da democracia no Brasil.

Além desta ocasião, costumamos ver que nas disputas eleitorais (e seria esta uma, por que não?) os ânimos se acirram. Amizades terminam, grupos de whatsapp ficam a todo vapor, posições contrárias se tornam ofensivas à honra e ao caráter pessoal. O respeito, a tolerância com o posicionamento político distinto de um amigo se torna ódio mortal. O que era amizade se torna inimizade; o que era paz se transforma em guerra; o que poderia ser um bom debate de ideias se configura em argumentos apaixonados, sem fundo comprobatório verdadeiro.

O “muro de Brasília” deverá opor o grupo situacionista do oposicionista, em um “novo” processo de impeachment que desde Fernando Collor de Melo, quando ainda Presidente da República, não chegava ao atual momento. Na ocasião de Collor o grupo de situação era menor e desarticulado. Hoje o momento é outro. Aguardaremos as cenas dos próximos capítulos, que prometem aguçar os ânimos no centro do país, na expectativa de que possamos refletir sobre sentimentos como a tolerância e o debate com bons argumentos, tão carentes (ainda) na política brasileira.

5 fatores para uma campanha bem sucedida na internet: a identidade visual

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A internet nos trouxe uma gama de informações. Dispersas e oriundas dos mais diferentes sites existentes na rede mundial de computadores, as notícias “bombam” em nossa linha do tempo nas redes sociais. Além disso, a informação única, de um portal consagrado, por exemplo, pode ser contestada imediatamente ao verificarmos um outro site. O que isto se relaciona com a identidade visual? É o que pretendemos abordar no segundo artigo de nossa série “5 fatores para uma campanha bem sucedida na internet”.

Esta gama de informações rápidas, diretas e instantâneas demonstram o momento da internet atualmente: agilidade e comunicação em tempo real. Portanto, a maioria das pessoas tendem a não perder tempo lendo longos textos ou buscando dados precisos sobre candidaturas, por exemplo. A identidade visual de uma campanha deve ser clara, limpa, objetiva, comunicando três pilares básicos de uma propaganda eleitoral: a imagem, o nome e o número.

A construção da logomarca de um candidato deve respeitar os bons critérios da comunicação: simples, fácil de ser compreendida e, principalmente, que estimule o entendimento instantâneo do mais simples ao mais graduado eleitor. Tons em degradê, mistura de símbolos com letras, mescla de letras com bandeiras tremulando, preenchimento da letra “O” com algum adorno, por exemplo, devem ser evitadas. A ideia é que o próprio nome seja a logomarca da campanha, uma vez que as eleições tem tempo determinado e a construção de uma logo mais complexa pode exigir mais tempo. É o caso da Coca-Cola, uma expressão em letra estilizada que se tornou a própria logomarca oficial da empresa. Outra saída é incluir na logo um símbolo bem solidificado ou aliado ao nome do político, desenvolvido há anos. A última solução é aliar logo ao número – afinal, as pessoas votam mais em números do que em nomes.

Uma boa logomarca é aquela pensada pelo próprio político ou com o auxílio de sua equipe. Afinal, por mais que uma agência de comunicação ajude na criação da arte final da logo, as informações que vão dar a expressão da identidade pessoal do candidato devem vir de quem conhece bem ou vivencia diariamente o meio social em que o político está inserido. Portando este conhecimento, a criação da logo deve olhar bem os concorrentes e, principalmente, as cores existentes na disputa eleitoral. Imagine um político do PSDB usando a cor vermelha? Seria um fiasco!

A criação da logomarca deve procurar algo original, fugindo dos “modismos” existentes ou dos paradigmas de sucesso já estabelecidos. Quantas e quantas campanhas utilizaram uma logomarca parecida com a de Barack Obama, eleito Presidente dos Estados Unidos? Um sem fim! Afinal, a ideia de “se inspirar” em algo internacional pode trazer tons grandiosos à campanha –  o que necessariamente não reflete a realidade brasileira.

Não há mistério para a criação de uma logomarca. Lembre-se sempre que a missão da logo passa por 3 pontos:

1 – Comunicar instantaneamente;

2 – Expor a ideia, isto é, a “cara do candidato”, sua identidade visual, suas propostas;

3 – Fazer com que o leitor “memorize” sua marca.

Até a próxima!

Fonte da imagem: https://publicideias.wordpress.com/category/eleicoes-influenciaveis/

 

5 fatores para uma campanha política bem sucedida na internet: a pessoalidade

corpo a corpo com eleitores collorA série da “5 fatores para uma campanha política bem sucedida na internet” inicia-se hoje com tópicos relacionados ao universo da política, pretendendo falar diretamente com candidatos, políticos em pleno o exercício dos mandatos ou interessados no tema. Não vamos falar sobre a importância doo uso da internet na política. Isto parece-me que todos já visualizam como um caminho sem volta. Assim, nosso objetivo é debater temas relevantes, que às vezes são esquecidos, mas que fazem toda a diferença.

Iniciamos com um tema que parece óbvio, mas pouco explorado pelas equipes dos candidatos/políticos em geral: a pessoalidade na internet. O contato direto com o eleitor (corpo a corpo) é uma das principais ferramentas no processo de conquista do voto. Não há um especialista em eleições sequer que deixa de citar o “corpo a corpo” como uma das formas mais eficazes de obtenção do voto. E, aí, quando vamos para a internet, este contato parece que se perde. O mundo virtual soa distante do mundo real. A conectividade na palma das mãos e na ponta dos dedos por uma ferramenta de comunicação (celular, computador, tablet) nos “afasta” das pessoas. O chamado “senso comum crítico” condena a conectividade em excesso.

Esta série de juízos de valor sobre o uso de celulares e tablets o tempo todo poderia inibir a utilização “full time” destes aparelhos. Um engano. A conectividade dos brasileiros cresce a cada dia e, pelo menos a metade da população nacional tem acesso à internet. E aí, o político, com sua desgastada imagem perante à sociedade, transforma o palanque virtual em extensão do palanque real. São diversos os casos em que as redes sociais dos políticos e dos candidatos apenas replicam as atividades rotineiras, falando sério o tempo todo e sem interatividade com o seu público-alvo.

Insisto na ideia de que a política na internet deve sim falar de acordo com o perfil de cada eleitorado. Comunicar com eficácia e objetividade parece algo com mais impacto. Sim, um político deve expor as atividades do mandato. Mas existem meios e formas para isso. O tempo presente nos demonstra que a pessoalidade não pode ser perdida. Momentos com a família, fotos em passeios, selfies e fotos com boa qualidade em plena atividade política tem mais impacto que um link direto para o site do político. O eleitorado quer saber o que o político faz nas horas vagas e, durante o período de trabalho, o que ele faz de diferente pra ser um político diferente e receber seu voto. Esqueça as pompas de antigamente: a simplicidade na comunicação virtual de hoje ganha espaço e, a figura do “político super homem” foi substituída pelo Chaves da vila. Afinal, qualquer pessoa tem em mãos um celular para fotografar o político em um ângulo desfavorável…

Valorize a pessoalidade. Saiba que a internet apesar de virtual é a extensão do mundo real. E o tempo que as pessoas passam virtualmente é muito grande. Conquistar o voto é falar com várias pessoas ao mesmo tempo e, nada melhor que uma ferramenta como a internet para fazer isto rapidamente. A vida pessoal se confunde e se torna pública com a política. Portanto, saiba controlar sua pessoalidade-pública, expondo aquilo que te interessa e sempre fazendo as seguintes perguntas antes de postar algo:

1- haverá uma identificação com meu eleitor quando ele ver isso, isto é, as pessoas em geral fazem o que estou fazendo?

2- a imagem valoriza a minha imagem, ou seja, eu apareço na foto/vídeo e todos podem me identificar em uma situação positiva?

3- atingirei o objetivo de tornar pessoal, isto é, levar ao mundo virtual algo necessariamente do mundo real? E mais: o eleitor conseguirá ver isso ai acessar a minha postagem?

Pessoalidade, como demonstramos, ainda é tudo. Lembre-se do processo de identificação, uma carta na manga para vencer as eleições. Estas são pequenas dicas do primeiro texto de nossa série. Semana que vem nosso texto será sobre o uso do vídeo nas redes sociais.

Os preconceitos quando se tem um ideal

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Refleti esses dias sobre a natureza humana quanto à busca de um ideal. Não estou enveredando pela filosofia, pelo contrário, apenas tento ser franco nas palavras sobre um assunto que vagou pelos meus pensamentos nas últimas semanas: os preconceitos que as pessoas tem quando você busca idealizar um projeto, algo presente na menor parcela da população nos dias de hoje. Pode parecer estranho, mas isto acontece com frequência. Nossos exemplos vão ajudar a entender o que proponho.

Experimente buscar uma curso fora da sua cidade – principalmente se este curso estiver em um nível mais avançado ou se relacionar diretamente com a sua profissão. A pergunta, generalista por sinal, é a seguinte: “mas é a sua empresa que está custeando as despesas né?” ou então: “mas nada disso tá saindo do seu bolso né?”. A frustração vem quando a resposta para estas perguntas-afirmações são negativas. E esta frustração ocorre justamente porque preservamos o conforto do lar: é mais fácil ficar em casa do que buscar o conhecimento fora. Afinal, o esforço cansa, o tempo urge e a sapucaí é grande. Nossa “zona de conforto” fala mais alto.

Experimente também propor a criação de algo inusitado, engenhoso e trabalhoso. Muitos vão afirmar veementemente que nada vai dar certo, que o projeto é muito grande para o tamanho da sua realidade ou que as pessoas não estão preparadas para lidar com o novo. A injeção de desmotivação é grande. A de inveja também. E nada acontece se não tirarmos do papel aquela boa ideia engavetada. Mais uma vez a “zona de conforto” volta a imperar.

Mas, será que estamos em um estado permanente de conforto? Em partes. Todos tem seus confortos, suas taras e manias. O ideal para alguns fala mais alto do que o conforto. Para a maioria não. A mensagem pode ser de motivação neste curto texto, entretanto apenas afirmo que é preciso sempre olhar o balanço da sociedade, como ela caminha e o que ela nos permite. E nossa: há algo mais complexo do que a sociedade humana?

Vivemos no tempo do conforto, da facilidade digital e da baixa mobilidade de ideias, de sentimentos, de projetos. Também vivenciamos o tempo do politicamente correto, pauta esta para outro artigo. A hora para fazer acontecer nunca teve data para começar. Se você quiser mudar, aproveite: a mudança está consigo mesmo. Basta um bom ideal, um projeto compatível com a realidade e uma boa pitada de fugir da zona de conforto.

Obs.: Escrevi este texto quase que como um mantra-explicativo. Busco esta receita todos os dias quando entro em um novo projeto. O que me move sempre é o desafio.