Pablo, qual é a música?

Quem nunca ouviu essa frase pronunciada pelo apresentador de TV Silvio Santos? Qual é a Música? era um programa que foi ao ar na década de 1970 e exibido no SBT, no qual artistas tentavam acertar qual era a música tocada pela banda do programa. Após acertar ou errar a canção, Silvio Santos perguntava ao famoso cantor do musical, Pablo, qual era a música da melodia em questão. Com os programas de TV dos candidatos à presidência iniciados na terça-feira (17), a música das eleições deste ano já parece ter sido desvendada, sem nem ter necessidade de recorrer ao Pablo.

Os chamados “nanicos” carregam tal alcunha no sentido literal. As candidaturas do PSTU, PCO e PCB já batem na mesma tecla há 20 anos: o fim do capitalismo via revolução. Levi Fidélix (PRTB) também não trouxe o novo, cantarolando o famoso “aerotrem”. Por fim, ainda há ele, José Maria Eymael (PSDC), o dono do melhor e mais conhecido jingle político de todos os tempos, o “ey ey eymael, um democrata cristão”.

Plínio (PSOL) surpreende no sentido de que é um tom diferente para o grande CD eleitoral. Fala do socialismo, só que de um modo moderado e bem apresentado em relação aos outros três “nanicos”. Herdou de Heloisa Helena a candidatura do partido e traz na bagagem a experiência política. Em termos de lançamento, Marina Silva (PV) apresenta aos nossos ouvidos uma música não inédita, mas regravada com um novo arranjo: a questão ambiental, necessária para a melhoria do meio ambiente.

As canções que estão na boca do povo são as de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A primeira tem vendido melhor, com músicos mais bem preparados para o mercado eleitoral e que incluirá (quantas vezes for necessário) o Lula-lá em seus trabalhos. Tem agradado o público, do axé ao sertanejo, do funk à MPB. Serra precisa trocar a equipe de produção, pois esta ainda não conseguiu transformar os anos de palco em sucesso de vendas. No ritmo de mudança, parece encurralado naqueles que ouvem bossa nova e não a transformou em xote, forró e baião.

O grande pout-porri eleitoral chegou às lojas do público sem novidades. Apenas os arranjos são novos, mas os cantores orquestram a mesma prosa e verso do passado – ainda que existam os novos trabalhos citados acima. Agudaremos para saber apenas o desfecho, esperando que os nossos ouvidos não sofram mais até lá.

Publicado originalmente no Jornal do Povo em 19/08/2010

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