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Archive for Setembro, 2009

Engula suas palavras, parlapatão!

Setembro 22, 2009 Tiago Valenciano 1 comentário

collor senado briga

Na última segunda-feira (03), assistimos a um caloroso debate no Senado Federal. Os Senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL), trocaram farpas em plena sessão. A discussão novamente tratava sobre uma possível renúncia do cargo de presidente, exercido hoje por José Sarney (PMDB-AP).

Após intenso diálogo entre Simon e Calheiros, o gaúcho citou fatos acerca do governo Collor. Este, incomodado com as palavras de Pedro Simon sobre suas “relações políticas”, sugeriu ao mesmo que “engolisse suas palavras”. Afinal, quem deve engolir palavras no Senado?

Fernando Affonso Collor de Mello é um dos políticos que obteve uma carreira meteórica. E, do mesmo modo que o meteoro brilhou, ele caiu. Nomeado prefeito de Maceió, o “menino” Collor tornou-se Deputado Federal e, posteriormente, governador de Alagoas. Economista e Empresário, Fernando Collor foi eleito Presidente da República em 1989, o primeiro eleito pelo voto direto após o período de ditadura militar.

Jovem e arrojado, a candidatura que a princípio parecia pequena, de um “franco atirador”, tomou proporções gigantescas ao longo do pleito. Com Lula, talvez tenha protagonizado o melhor debate de todos os tempos das eleições no Brasil – no segundo turno. Eleito, o “caçador de marajás” passou por turbulências econômicas e políticas e, aberto o processo de Impeachment, Collor renuncia em 1992.

Mas engana-se quem acreditava no fim da carreira política de Collor. Candidato derrotado ao governo de Alagoas em 2000, o “fenômeno” reage, sendo eleito Senador em 2005. De volta ao cenário político, compõe juntamente com Sarney a galeria de ex-presidentes eleitos que estão como senadores.

No embate com Pedro Simon – defensor da ética no parlamento, Collor sugeriu ao mesmo que “engolisse suas palavras” e não mais citasse o mesmo nos discursos, pois acaso isso ocorresse, Collor irá relembrar alguns fatos da vida de Simon. Todavia, diante da história pública e da conturbada carreira política, quem afinal deve engolir as palavras: Collor ou Simon? Da lama que assola o parlamento nacional, acredito que se todos engolirem as palavras, não haveria um só discurso a restar…

Publicado originalmente em “Jornal do Povo”, em 06/08/2009

Sairney: sim, não ou talvez?

Setembro 22, 2009 Tiago Valenciano 2 comentários

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“Sarney deixa a presidência do Senado”. Talvez esse seja o título da matéria de jornal mais esperada dos últimos dias. A crise institucional atingiu de vez as duas principais casas legislativas do país: o Senado e a Câmara dos Deputados. Cito também a Câmara, pois esta não está livre dos recentes acontecimentos políticos. Mas, será que a crise realmente é do Senado? Ou é política? Sarney: sai da presidência ou permanece intacto?

José Sarney, oriundo ainda do período militar, é o parlamentar mais antigo no cenário nacional. Imortal da Academia Brasileira de Letras, Sarney fez carreira política no Maranhão e agora é Senador pelo Amapá. Herdou a Presidência da República em 1985, marcando a transição para o recente período democrático no país.

Estes dados biográficos de Sarney comprovam a velha oligarquia política vigente no Senado. Apenas para constar, nos últimos dez anos, a presidência da casa foi ocupada por figuras tradicionais da política, que mantém o poder e suas respectivas localidades. ACM (Bahia), Jader Barbalho (Pará), José Sarney (Amapá), Ramez Tebet (Mato Grosso do Sul), Renan Calheiros (Alagoas) e Garibaldi Alves (Rio Grande do Norte) são expoentes oligárquicos, locais, tradicionais.

Sarney argumenta que a crise é do Senado – e não pessoal. A crise realmente é do Senado, mas o Senado é composto por quem? Pelos Senadores! O recente escândalo dos “atos secretos” que afetou diversos parlamentares só contribuiu mais ainda para o desgaste da instituição perante a opinião pública.

Não basta, sobretudo, mudar a cara da maior liderança da casa. Há a necessidade de transformar o modo de fazer política, proporcionando maior transparência nas atividades parlamentares. Com o advento da internet, a possibilidade de divulgar as ações políticas são amplas e irrestritas. Medidas simples, rápidas e baratas proporcionariam maior credibilidade aos trabalhos efetuados pelos Senadores e Deputados.

Se Sarney deixará a presidência da casa ou não somente o tempo nos irá dizer. Todavia, a crise está aí e as representações no Conselho de Ética aumentam. A crise “passa”, as péssimas práticas políticas ficam e Sarney…é “imortal”.

Publicado originalmente em “Jornal do Povo”, dia 30/07/2009

O lixo que não virou luxo

Setembro 8, 2009 Tiago Valenciano 1 comentário

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Nos últimos dias (em diversos noticiários), acompanhamos a questão do lixo envolvendo duas cidades de nossa região: Maringá e Sarandi. Enquanto Maringá almeja encaminhar os dejetos para a cidade vizinha, Sarandi questiona, alegando a capacidade já superlotada de seu aterro. Logo, o que fazer com o lixo “produzido” em Maringá?

Aproximadamente trezentas toneladas de lixo são recolhidas na cidade ao dia. É quase um quilo de lixo por cada habitante da cidade. Se considerarmos o período de um ano, os maringaenses expelem mais de cem mil toneladas. A média corresponde aos índices brasileiros. Apenas para constar, nos Estados Unidos, cada habitante produz cerca de dois quilos de lixo por dia.

De todos os municípios do Estado, cento e quarenta e oito não tratam corretamente o destino dos resíduos. Ou seja, um terço da população paranaense está fadada a produzir lixo e não destiná-lo de modo justo.

Em 1992, a promotoria do Meio Ambiente questionou pela primeira vez a situação do lixo maringaense. No aterro que está localizado à região sul, diversos problemas foram apresentados, considerado assim como irregular. Tal “lixão” fica apenas a quinhentos metros de um ribeirão, contaminando a nascente do mesmo. Diante do impasse judicial, a prefeitura contratou uma empresa, que utiliza a tecnologia chamada biopuster para separar e tratar o lixo. Ainda assim, esta medida é provisória, já que a empresa necessita de uma licitação para atuar legalmente.

Na última semana, a Prefeitura de Maringá contratou a empresa que presta serviço em Sarandi para que esta cidade possa receber os dejetos da vizinha outrora chamada “Cidade Verde”. Com o evidente impasse – pois qual interesse há em Sarandi transformar-se em “lixão” de Maringá?, o lixo de Maringá permanece sem destino correto, enquanto o aterro continua a encher.

Pelo porte de metrópole e terceira maior cidade em habitantes do Estado, Maringá necessita em caráter emergencial de uma usina de reciclagem e compostagem de lixo. Com o apoio do poder público, uma cooperativa pode ser criada, beneficiando quem já trabalha com o lixo da cidade e fomentando emprego e renda. Tal medida é barata, comparando os inúmeros benefícios econômicos. Além disso, o meio ambiente agradece e, quem sabe assim a cidade retorne a ser conhecida como exemplo na área ambiental, transformando um lixo que hoje ainda não se tornou luxo.

Publicado originalmente no “Jornal do Povo”, em 23/07/2009.

CategoriasPolítica, Sociedade

Vivendo na Metrópole

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A tarefa de sobreviver nas grandes cidades não é nada fácil. Pessoas correndo, carros em trânsito frenético, anúncios, aglomeração humana, sirenes, buzinas, relógio despertando. A metrópole pulsa, as pessoas se agitam e o cotidiano parece ser uma grande corrida, na qual o primeiro lugar sempre é o posto a alcançar. Será mesmo que tudo isso vale a pena?

Georg Simmel, um dos notáveis sociólogos alemães, definiu um termo muito utilizado na área – e que até rompeu as barreiras das ciências sociais: o blasé. Um indivíduo blasé possui uma grande “intensificação dos estímulos nervosos”, além de criar mecanismos para se diferenciar dos demais. Típico da metrópole, um blasé preza pela pontualidade, calculabilidade e exatidão, pois é o tempo que rege seu modo de vida.

Ainda assim, a anonimidade e a impessoalidade dominam o modo de vida metropolitano. Afinal, este mecanismo criado pelas pessoas serve para delimitar espaços, para demonstrar que “eu não sou você”. Cada qual no seu lugar, cada um cumprindo seu papel. Você, que mora em um condomínio, sabe quem é o condômino da porta da frente? E nas residências, nos bairros, a amizade na vizinhança é como antes? Às vezes, saímos de casa de carro e tampouco nos damos ao trabalho de ir até a panificadora da esquina comprar um pãozinho a pé.

Tais características dos habitantes da metrópole ocasionam uma frouxidão nas relações sociais. Se na pequena cidade os laços são fortificados, à medida que a cidade se desenvolve, a possibilidade de atuação individual passa a ser maior. Os laços de amizade, a solidariedade outrora típica do ser humano já não vale mais. Também, pra que vou me preocupar com quem vive ao meu redor?

Ser blasé é ser indiferente, não impressionar-se com o que existe. Ser blasé é viver na metrópole e nem ter amigos na vizinhança, não gastar tempo consigo mesmo, mas gastar o tempo para ter mais dinheiro – e saber em quanto tempo poder gastá-lo. Quem sabe se não vivendo mais “como antigamente” este blasé que existe desapareça, provando que ainda há salvação para as relações sociais…e para a sociologia.

Publicado originalmente no “Jornal do Povo”, em 16/07/2009.

Toque de recolher em Maringá?

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Aprovado e devidamente executado em algumas cidades do interior de São Paulo, o toque de recolher divide opiniões entre a população. A medida estabelece que jovens e adolescentes (em geral menores de dezoito anos), retornem às suas casas após as 22h. Até que ponto o toque de recolher auxilia na formação do cidadão? Será que tal norma não atinge os princípios de liberdade do indivíduo?

Implantado em Ilha Solteira, Fernandópolis, Bastos e Itapura, a determinação vigora por intermédio do poder judiciário. O horário de permanência de crianças e adolescentes em vias públicas ocorre à noite, das 20h30 até 14 anos, das 22h até os 16 e 23h até os 18 anos.

Dividindo opiniões entre pais, filhos, especialistas , promotores e conselhos tutelares, o toque reduziu a violência envolvendo menores nas cidades citadas. Para os pais, o toque é importante, pois obriga os filhos a retornarem logo a seus lares, diminuindo assim a preocupação dos mesmos. Já os jovens, na via contrária, sempre dão desculpas quanto ao horário do retorno.

Quanto aos especialistas, uns acreditam que o toque de recolher é um gesto de proteção para os adolescentes, pois os livra da insegurança presente nas ruas. Outros enfatizam como um ato arbitrário, autoritário, uma vez que delimita e impõe horários no cotidiano juvenil.

Os municípios de Diadema, Guarulhos e Ribeirão Pires e mais dezesseis cidades paulistas também discutem a questão do recolhimento. No Paraná, a regra ainda não ganhou destaque nos debates locais. Em Maringá, medida similar a esta foi adotada durante a realização dos vestibulares da UEM, proibindo a comercialização de bebidas alcoólicas no entorno do campus sede.

A luz dos fatos, o questionamento principal face ao toque de recolher interfere na liberdade dos indivíduos. Se todos têm direito de ir e vir, porque interferir neste direito, fixando sanções à população? O princípio da liberdade pessoal deve, portanto, ser enfatizado, com vistas a proporcionar um direito conquistado pelo brasileiro. Acerca da formação dos jovens, cabe aos pais uma boa educação, aliada às instituições escolares. Restar-nos aguardar. Talvez o toque de recolher nem seja discutido em Maringá. Mas se for…

Publicado originalmente em “Jornal do Povo”, 09/07/2009