Dependência digital

O Ministério da Saúde adverte: aparelhos digitais em excesso são prejudiciais à saúde. Este anúncio parece brincadeira. Mas, em um futuro não tão distante, tais dizeres encaixarão muito bem nas atuais condições da sociedade. Reféns da aqui intitulada “dependência digital”, somos capazes de criar uma série de aparelhos que auxiliam (e muito) nosso dia-a-dia. Entretanto, até qual ponto esta síndrome digital é benéfica para o estabelecimento de relações sociais entre as pessoas?
Dos avanços da “era digital”, considero dois os grandes responsáveis pela facilidade na comunicação: o celular e o computador. Inegável que são duas importantes ferramentas para a comunicação entre as pessoas. Em qualquer lugar, pode-se obter contato com alguém do outro lado do planeta, mesmo que seja um desconhecido, um mero “amigo virtual”.
O celular contribui para a mobilidade da telefonia. Fios, cabos, linhas telefônicas são termos ultrapassados: créditos, torpedos e portabilidade são as novas palavras. Se antes marcávamos um encontro com alguém em determino local, hoje enviamos uma mensagem; Se antes possuir o número do apartamento do amigo era importante para encontrá-lo, hoje basta “dar um toque” no celular que ele desce, após encontro previamente agendado via torpedo, é claro.
Agilidade e praticidade. Definido assim, o computador melhorou muito. Sonhava eu, há quinze anos atrás, ter um disco rígido de 8 gigabytes. A moda agora é notebook: portátil, pra todo local se leva e com apenas um sinal, conecta-se à internet. Ah, internet! Com a ponta dos dedos, um mundo todo à disposição. Ligação via voip, bate-papo em tempo real pelo MSN, cartas agora pelo e-mail, azaração e encontro de amigos pelo Orkut e afins.
As relações sociais, olho no olho, cara a cara, frente a frente, são de suma importância. São nelas que podemos utilizar todos nossos sentidos (e não apenas alguns, como no celular ou no PC). Longe de defender o extermínio dessas vantagens digitais. Igualmente, vale ponderar quando, como e de qual maneira utilizá-las. Cabe, portanto, a cada interlocutor, possuir o devido discernimento para relacionar-se com os demais. Afinal, o velho costume de ir até a praça conversar com os amigos ainda possui seu charme e romantismo…
Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 28 de Maio de 2009.
