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A querela dos flanelinhas

flanelinha

“E daí fera, posso cuidar da caranga?” – questiona o prestativo flanelinha. “Beleza!” – exclama o cabisbaixo motorista, desolado. Estas falas repetem-se constantemente na cidade de Maringá. Com as devidas variações por conta dos interlocutores, diálogos como estes demonstram situações agora rotineiras na cidade: a presença dos flanelinhas. Qual papel deve ser do motorista? E do flanelinha? Qual a participação do poder público nestes casos? Tais perguntas rondam os moradores da “Cidade Canção”, que vivem com o problema há algum tempo.

 

Existentes nas cidades de médio e grande porte no Brasil, os guardadores de veículos (aqui chamados de flanelinhas), ocupam as vias públicas, com a prerrogativa de serem os zeladores dos bens particulares. Cuidam dos carros normalmente em pontos de grande fluxo, como o centro da cidade, próximo a shoppings, centros comerciais, repartições públicas, enfim, onde há movimento de veículos.

 

Ao cuidar de um determinado carro, o flanelinha solicita em troca algum donativo em dinheiro. Da flanela, então utilizada para limpar os vidros dos veículos, sobrou apenas o marcador, espécie de papel que delimita qual “profissional” está na vigia do automotor. Na volta, o motorista “retribui” os bons serviços, conforme as condições de cada um.

 

A pergunta que iniciou este texto é corriqueira em Maringá. São mais de 100 flanelinhas na cidade. Tomaram toda a área central, além das boates à noite e os eventos aqui realizados. Por intermédio da Secretaria da Assistência Social e Cidadania (SASC), a Prefeitura tentou “institucionalizar” o serviço, tornando legal a prática após cadastrar e distribuir coletes aos mesmos. A prerrogativa era de que após tal ato, os flanelinhas receberiam cursos para ingresso no mercado formal de trabalho. Todavia, os coletes foram recolhidos e a querela ainda permanece.

 

Além das questões citadas, uma espécie de cartel foi estabelecida: preços padrões são cobrados, sem falar da venda dos pontos de arrecadação. A Prefeitura deve resolver a pendência, visto que os motoristas já não suportam mais remunerar os flanelas. Até mesmo nas zonas tarifadas estes sujeitos permanecem. É preciso uma atitude drástica, eficaz e urgente, pois casos como estes que abrange um problema social deveriam ser prioridade na administração municipal. Resta-nos saber até quando iremos conviver com a situação. 

 

Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 21 de Maio de 2009.

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