Dois é bom. Três é demais.

“Um é pouco, dois é bom, três é demais”. Este adágio popular é utilizado com frequência entre os brasileiros – nas mais diversas ocasiões. Nas questões que aferem a política nacional, um tema é levado à tona desde 2006 e divide opiniões entre a população: um terceiro mandato para o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após três tentativas frustradas (1989,1994 e 1998), Lula ascendeu ao cargo máximo do país, representando um partido até então balizado na esquerda e de múltiplos segmentos políticos e ideológicos. Compondo com um partido considerado de direita (O Partido Liberal – PL, agora rebatizado como Partido da República – PR), a coalizão petista galgou a presidência realizando conchavos e alianças de origem duvidosa, face às bases programáticas do PT.
A imagem do candidato também colaborou para a ascensão de Lula. Trocou a barba por fazer e as camisas amarrotadas pela barba feita e o terno e gravata.
Dispondo de políticas sociais, a reeleição do Presidente foi conturbada, necessitando do segundo turno contra o tucano Geraldo Alckmin para renovar o mandato. Em seguida, Lula atingiu patamares recordes de aprovação, algo em torno de 70%, segundo pesquisas. Além dos importantes projetos sociais, a estabilidade da economia brasileira é fator determinante para estes elevados índices de aceitação.
Diante da boa fase, novamente a possibilidade de uma segunda reeleição entrou na pauta política nacional. Em pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha nesta semana, 47% dos entrevistados já apóiam a ideia do “terceiro mandato”. Logo, a lei eleitoral sofreria alterações, com o dispositivo de duas reeleições para o cargo de Presidente. Na via contrária, 49% acreditam que o atual modelo ainda é o melhor.
Neste imbróglio, recorremos ao adágio popular citado ao início do artigo. No primeiro mandato, Lula pode conhecer de perto as necessidades do povo brasileiro e implementar sua política. Em 2006, reeleito, os desafios e a confiança aumentaram, adquirindo mais responsabilidade como Presidente.
Entretanto, se um era pouco, dois mandatos já estão de bom tamanho. Manter o atual modelo de disputa ainda é a saída, proporcionando concorrência e garantindo a democracia no Brasil. Temo, portanto, a reeleição eterna, o que disseminaria os princípios democráticos e provavelmente nos traria de volta ao período ditatorial.
Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 04 de Junho de 2009.



