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Archive for Junho, 2009

Dois é bom. Três é demais.

luladenovo

“Um é pouco, dois é bom, três é demais”. Este adágio popular é utilizado com frequência entre os brasileiros – nas mais diversas ocasiões. Nas questões que aferem a política nacional, um tema é levado à tona desde 2006 e divide opiniões entre a população: um terceiro mandato para o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Após três tentativas frustradas (1989,1994 e 1998), Lula ascendeu ao cargo máximo do país, representando um partido até então balizado na esquerda e de múltiplos segmentos políticos e ideológicos. Compondo com um partido considerado de direita (O Partido Liberal – PL, agora rebatizado como Partido da República – PR), a coalizão petista galgou a presidência realizando conchavos e alianças de origem duvidosa, face às bases programáticas do PT.


A imagem do candidato também colaborou para a ascensão de Lula. Trocou a barba por fazer e as camisas amarrotadas pela barba feita e o terno e gravata.

Dispondo de políticas sociais, a reeleição do Presidente foi conturbada, necessitando do segundo turno contra o tucano Geraldo Alckmin para renovar o mandato. Em seguida, Lula atingiu patamares recordes de aprovação, algo em torno de 70%, segundo pesquisas. Além dos importantes projetos sociais, a estabilidade da economia brasileira é fator determinante para estes elevados índices de aceitação.


Diante da boa fase, novamente a possibilidade de uma segunda reeleição entrou na pauta política nacional. Em pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha nesta semana, 47% dos entrevistados já apóiam a ideia do “terceiro mandato”. Logo, a lei eleitoral sofreria alterações, com o dispositivo de duas reeleições para o cargo de Presidente. Na via contrária, 49% acreditam que o atual modelo ainda é o melhor.


Neste imbróglio, recorremos ao adágio popular citado ao início do artigo. No primeiro mandato, Lula pode conhecer de perto as necessidades do povo brasileiro e implementar sua política. Em 2006, reeleito, os desafios e a confiança aumentaram, adquirindo mais responsabilidade como Presidente.


Entretanto, se um era pouco, dois mandatos já estão de bom tamanho. Manter o atual modelo de disputa ainda é a saída, proporcionando concorrência e garantindo a democracia no Brasil. Temo, portanto, a reeleição eterna, o que disseminaria os princípios democráticos e provavelmente nos traria de volta ao período ditatorial.


Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 04 de Junho de 2009.

CategoriasPolítica, Sociedade

Dependência digital

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O Ministério da Saúde adverte: aparelhos digitais em excesso são prejudiciais à saúde. Este anúncio parece brincadeira. Mas, em um futuro não tão distante, tais dizeres encaixarão muito bem nas atuais condições da sociedade. Reféns da aqui intitulada “dependência digital”, somos capazes de criar uma série de aparelhos que auxiliam (e muito) nosso dia-a-dia. Entretanto, até qual ponto esta síndrome digital é benéfica para o estabelecimento de relações sociais entre as pessoas?

Dos avanços da “era digital”, considero dois os grandes responsáveis pela facilidade na comunicação: o celular e o computador. Inegável que são duas importantes ferramentas para a comunicação entre as pessoas. Em qualquer lugar, pode-se obter contato com alguém do outro lado do planeta, mesmo que seja um desconhecido, um mero “amigo virtual”.

O celular contribui para a mobilidade da telefonia. Fios, cabos, linhas telefônicas são termos ultrapassados: créditos, torpedos e portabilidade são as novas palavras. Se antes marcávamos um encontro com alguém em determino local, hoje enviamos uma mensagem; Se antes possuir o número do apartamento do amigo era importante para encontrá-lo, hoje basta “dar um toque” no celular que ele desce, após encontro previamente agendado via torpedo, é claro.

Agilidade e praticidade. Definido assim, o computador melhorou muito. Sonhava eu, há quinze anos atrás, ter um disco rígido de 8 gigabytes. A moda agora é notebook: portátil, pra todo local se leva e com apenas um sinal, conecta-se à internet. Ah, internet! Com a ponta dos dedos, um mundo todo à disposição. Ligação via voip, bate-papo em tempo real pelo MSN, cartas agora pelo e-mail, azaração e encontro de amigos pelo Orkut e afins.

As relações sociais, olho no olho, cara a cara, frente a frente, são de suma importância. São nelas que podemos utilizar todos nossos sentidos (e não apenas alguns, como no celular ou no PC). Longe de defender o extermínio dessas vantagens digitais. Igualmente, vale ponderar quando, como e de qual maneira utilizá-las. Cabe, portanto, a cada interlocutor, possuir o devido discernimento para relacionar-se com os demais. Afinal, o velho costume de ir até a praça conversar com os amigos ainda possui seu charme e romantismo…

Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 28 de Maio de 2009.

A querela dos flanelinhas

flanelinha

“E daí fera, posso cuidar da caranga?” – questiona o prestativo flanelinha. “Beleza!” – exclama o cabisbaixo motorista, desolado. Estas falas repetem-se constantemente na cidade de Maringá. Com as devidas variações por conta dos interlocutores, diálogos como estes demonstram situações agora rotineiras na cidade: a presença dos flanelinhas. Qual papel deve ser do motorista? E do flanelinha? Qual a participação do poder público nestes casos? Tais perguntas rondam os moradores da “Cidade Canção”, que vivem com o problema há algum tempo.

 

Existentes nas cidades de médio e grande porte no Brasil, os guardadores de veículos (aqui chamados de flanelinhas), ocupam as vias públicas, com a prerrogativa de serem os zeladores dos bens particulares. Cuidam dos carros normalmente em pontos de grande fluxo, como o centro da cidade, próximo a shoppings, centros comerciais, repartições públicas, enfim, onde há movimento de veículos.

 

Ao cuidar de um determinado carro, o flanelinha solicita em troca algum donativo em dinheiro. Da flanela, então utilizada para limpar os vidros dos veículos, sobrou apenas o marcador, espécie de papel que delimita qual “profissional” está na vigia do automotor. Na volta, o motorista “retribui” os bons serviços, conforme as condições de cada um.

 

A pergunta que iniciou este texto é corriqueira em Maringá. São mais de 100 flanelinhas na cidade. Tomaram toda a área central, além das boates à noite e os eventos aqui realizados. Por intermédio da Secretaria da Assistência Social e Cidadania (SASC), a Prefeitura tentou “institucionalizar” o serviço, tornando legal a prática após cadastrar e distribuir coletes aos mesmos. A prerrogativa era de que após tal ato, os flanelinhas receberiam cursos para ingresso no mercado formal de trabalho. Todavia, os coletes foram recolhidos e a querela ainda permanece.

 

Além das questões citadas, uma espécie de cartel foi estabelecida: preços padrões são cobrados, sem falar da venda dos pontos de arrecadação. A Prefeitura deve resolver a pendência, visto que os motoristas já não suportam mais remunerar os flanelas. Até mesmo nas zonas tarifadas estes sujeitos permanecem. É preciso uma atitude drástica, eficaz e urgente, pois casos como estes que abrange um problema social deveriam ser prioridade na administração municipal. Resta-nos saber até quando iremos conviver com a situação. 

 

Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 21 de Maio de 2009.

CategoriasSociedade

Quando menos parece ser mais

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Ao pronunciarmos a palavra “reforma”, o significado implícito na mesma é reconstruir algo danificado, já ultrapassado. No Congresso, Deputados e Senadores debatem há anos um tema de interesse nacional: a reforma política. Para tal, existe uma polêmica que afeta diretamente a política praticada nas cidades – o aumento/diminuição do número de vereadores das Câmaras Municipais.

 Este impasse obteve ênfase no ano da penúltima eleição municipal. Para estabelecer uma ordem comum e reorganizar a antiga legislação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impôs mudanças nas regras. Por intermédio da resolução 21.702 de 02 de Abril de 2004, passaram a vigorar “faixas” populacionais para fixar o número de vereadores. Assim, 36 faixas foram estabelecidas, com número mínimo de 9 vereadores para os municípios com até 47.619 habitantes. A partir deste parâmetro populacional, seguiram-se mais 35 “faixas”.

 A redução/aumento do número de cadeiras nas casas de leis angaria opiniões distintas. Dos vereadores, a maioria é favorável ao aumento no número de cadeiras. Sob o argumento de que se a cidade for dividida em porções para cada vereador ‘cuidar’, há uma defasagem no número de parlamentares. Um edil ‘cuida’ de cerca de 20 mil pessoas (caso Maringaense), enquanto em municípios de 5 mil habitantes cada vereador ‘cuida’ dos grupos de 500 pessoas, aproximadamente.

 Na via contrária, a opinião pública, indagando que os parlamentares pouco realizam em prol da população. Além disso, há a imagem ruim do legislativo perante a sociedade, marcado por escândalos e casos de corrupção – sem falar o excesso de cargos de confiança.

 Logo, questiono: aumentar a quantidade de cadeiras é algo indispensável para o bom funcionamento da política local? Creio que não. Tal medida só se justificaria caso os parlamentares comprovassem a demanda política em excesso, defendida pela classe. Ainda assim, os vereadores não são responsáveis por “cuidar” da cidade, mas sim por fiscalizar as ações do executivo e propor leis de interesse da sociedade. É necessário, sobretudo, que os parlamentares apresentem bons projetos, direcionados para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Desta maneira, os políticos poderão amenizar a péssima imagem pública e talvez pleitearem as suas próprias reivindicações.

Publicado originalmente no “Jornal do Povo” em 14 de Maio de 2009.

CategoriasPolítica