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Des-matar o Paque do Ingá

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Fundado em 1943 e declarado como “parque público” em 1975, o Parque do Ingá é a menina dos olhos de Maringá, uma das cidades mais arborizadas do país. Espaço para passeio aos finais de semana de famílias, crianças, jovens, adultos e idosos, o parque é atração turística para diversas cidades da região, bem como para alunos do ensino fundamental, por exemplo, que o visitam atrás de suas belezas. Entretanto, as recentes manchetes sobre o fechamento do mesmo causam preocupação àqueles que outrora frequentavam-no.

Há quase um mês, o parque foi fechado, após treze mortes dos macacos de seu mini zoológico, sob a suspeita de febre amarela (refutada). Todavia, o “Ingá” é tema de debates na esfera pública. Desde 2007, a intenção da prefeitura é privatizar o local, transformando-o em área particular. O descaso das autoridades perante as atrações turísticas do Parque do Ingá são inúmeras: pedalinho desativado, lanchonete fechada, falta de segurança, roteiro turístico inexistente e até mesmo o trenzinho poderia ser melhor.

Diante deste cenário, há a necessidade de o poder público tomar providências quanto ao uso da “jóia” maringaense. A prioridade deve ser a erradicação da febre amarela e de outras possíveis doenças dos animais do parque. Em seguida, medidas severas e emergenciais só contribuirão para a reabertura do local. Um plano de atuação contundente e de desenvolvimento da área pode – e deve ser elaborado, não só pelo poder público, mas em parceria com entidades e a participação da sociedade civil.

Criar um regime de concessão da lanchonete, do pedalinho e do trenzinho parece ser uma boa ideia, restando à Prefeitura o zelo pelo parque e a isenção de taxas para entrada no mesmo. Tais medidas facilitarão a manutenção das árvores, do lago, do Jardim Imperial, do mini zoológico e das outras atrações.  Com uma equipe de trabalho bem equipada e seguranças por toda sua extensão territorial, o Parque do Ingá voltará a ser motivo de orgulho dos maringaenses.

Em confronto com a atual situação, um verdadeiro “desmatamento” ocorre. O “desmatamento” não sucede no sentido literal do termo. Surge, sobretudo, sobre o aspecto moral deste “senhor”, destinado ao esquecimento e que luta contra o tempo para não morrer. Ceifado por uma motosserra, o Parque do Ingá ainda tem esperança de um dia retornar à sua juventude e proporcionar valiosos momentos para os habitantes da Cidade Canção – o que seria um belo presente de aniversário.

Publicado Originalmente no “Jornal do Povo” em 08 de Maio de 2009.

CategoriasPolítica, Sociedade
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