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Archive for Maio, 2009

Des-matar o Paque do Ingá

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Fundado em 1943 e declarado como “parque público” em 1975, o Parque do Ingá é a menina dos olhos de Maringá, uma das cidades mais arborizadas do país. Espaço para passeio aos finais de semana de famílias, crianças, jovens, adultos e idosos, o parque é atração turística para diversas cidades da região, bem como para alunos do ensino fundamental, por exemplo, que o visitam atrás de suas belezas. Entretanto, as recentes manchetes sobre o fechamento do mesmo causam preocupação àqueles que outrora frequentavam-no.

Há quase um mês, o parque foi fechado, após treze mortes dos macacos de seu mini zoológico, sob a suspeita de febre amarela (refutada). Todavia, o “Ingá” é tema de debates na esfera pública. Desde 2007, a intenção da prefeitura é privatizar o local, transformando-o em área particular. O descaso das autoridades perante as atrações turísticas do Parque do Ingá são inúmeras: pedalinho desativado, lanchonete fechada, falta de segurança, roteiro turístico inexistente e até mesmo o trenzinho poderia ser melhor.

Diante deste cenário, há a necessidade de o poder público tomar providências quanto ao uso da “jóia” maringaense. A prioridade deve ser a erradicação da febre amarela e de outras possíveis doenças dos animais do parque. Em seguida, medidas severas e emergenciais só contribuirão para a reabertura do local. Um plano de atuação contundente e de desenvolvimento da área pode – e deve ser elaborado, não só pelo poder público, mas em parceria com entidades e a participação da sociedade civil.

Criar um regime de concessão da lanchonete, do pedalinho e do trenzinho parece ser uma boa ideia, restando à Prefeitura o zelo pelo parque e a isenção de taxas para entrada no mesmo. Tais medidas facilitarão a manutenção das árvores, do lago, do Jardim Imperial, do mini zoológico e das outras atrações.  Com uma equipe de trabalho bem equipada e seguranças por toda sua extensão territorial, o Parque do Ingá voltará a ser motivo de orgulho dos maringaenses.

Em confronto com a atual situação, um verdadeiro “desmatamento” ocorre. O “desmatamento” não sucede no sentido literal do termo. Surge, sobretudo, sobre o aspecto moral deste “senhor”, destinado ao esquecimento e que luta contra o tempo para não morrer. Ceifado por uma motosserra, o Parque do Ingá ainda tem esperança de um dia retornar à sua juventude e proporcionar valiosos momentos para os habitantes da Cidade Canção – o que seria um belo presente de aniversário.

Publicado Originalmente no “Jornal do Povo” em 08 de Maio de 2009.

CategoriasPolítica, Sociedade

Qual Dias?

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O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) discute no ensaio “Os três tipos de dominação legítima” algumas questões inerentes ao comando político. Neste, um tipo de dominação persiste até os dias atuais: a dominação tradicional. Pautada pela crença em quem domina há muito tempo, esta autoridade transparece na família Dias. Representadas nas figuras de Álvaro e Osmar, a dominação tradicional os mantém no cenário político desde a década de 70. Diante das eleições do próximo ano, questiono: Qual Dias irá (ou não) para a disputa do Governo do Paraná em 2010?

Álvaro Fernandes Dias nasceu em 1944 em Quatá, no interior de São Paulo. Historiador, foi Vereador em Londrina, Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador e é Senador desde 1998. É filiado ao PSDB. Já Osmar Fernandes Dias também nasceu em Quatá, 1952. Engenheiro Agrônomo, ocupou cargos nos governos do irmão Álvaro e do atual Governador Roberto Requião. É Senador desde 1995, com mandato vencendo em 2010. Sobressai pelas lutas em relação às questões do campo. Pertence ao PDT.

Dos Dias, a posição mais confortável certamente é a de Álvaro. Candidato em 2002 – quando possuía mandato no Senado garantido, foi derrotado ainda no primeiro turno por Requião. Desde então, não pleiteou mais a candidatura ao Palácio Iguaçu. Hoje, encontra-se na mesma situação citada, pois foi reeleito para o Senado em 2008.

Embalado pela carreira política de Álvaro, Osmar é o tipo característico de quem inicia na política por intermédio da definida “dominação tradicional”. “Produto” da imagem do irmão, Osmar busca solidificar seu espaço político no Estado. Candidatou-se em 2006, disputando o segundo turno com o mesmo Requião (outrora superando Álvaro em 2002). Em uma das eleições mais apertadas da história do Paraná, Osmar foi vencido por aproximados 5 mil votos.

Neste embate, a tranquilidade paira por conta de Requião, algoz da família Dias e que não estará em cena para o Governo no próximo ano. Ambos possuem cerca de 2 milhões de votos, consolidando assim uma confortável posição do nome “Dias”. Um já exerceu o cargo; outro por pouco exerceu. Beto Richa (PSDB) pode entrar na disputa. Assim, diante desta nuvem de incertezas, a pergunta permanece: Qual Dias?

Publicado originalmente no Jornal do Povo de 30 de Abril de 2009

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Perspectivas para o Senado-2010

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As dinâmicas envolventes nos processos eleitorais fascinam. Atingindo todas as esferas sociais, culturais, intelectuais e econômicas, as eleições são capazes de mobilizar – mesmo que de modo passivo por intermédio do voto, milhões de pessoas pelo Brasil. Em 2010, um novo embate será travado, no qual o cidadão brasileiro irá eleger um novo Presidente, Governador, Deputados Estaduais e Federais e dois novos Senadores por Estado. É neste último cargo que direciono o olhar: a eleição para o Senado Federal em 2010 no Paraná.

Na disputa, elencamos alguns candidatos, cada qual com seu índice de candidatura aqui medido. A priori, o Governador Roberto Requião (PMDB) é o candidato nato com as maiores chances. Não podendo se reeleger, fatalmente ocupará uma das vagas disponíveis. Resta, portanto, uma vaga. É sobre esta vaga que a disputa torna-se mais acirrada e poderá (e deve) gerar as maiores especulações políticas.

O atual Senador Flávio Arns (PT) talvez concorra novamente. Contra ele, Gleisi Hoffmann (PT), munida de toda a estrutura do PT estadual e apoiada por Paulo Bernardo, além de ser a “dobradinha” possível de Requião. Juntamente, três Deputados Federais estariam na disputa: Gustavo Fruet (PSDB), Ricardo Barros (PP) e Abelardo Lupion (DEM). Saliento o favoritismo de Gleisi contra Arns e o embate igualitário entre os três deputados.

Mesmo com a necessidade da consideração pela disputa do Palácio do Iguaçu, o fator surpresa de um dos três parlamentares pode pesar. Arns deverá mudar de casa, passando do Senado para a Câmara dos Deputados, face ao já evidente favoritismo de Gleisi; de tal modo, no choque contra a petista , estariam Fruet, Lupion e Barros. Os dois primeiros carregando o tradicionalismo político familiar a nível estadual. O segundo, interiorano e localista, aumenta gradativamente suas bases políticas, aliado à habilidade de articulação política e o comando de duas importantes prefeituras: Londrina e Maringá.

Como dito, muitas especulações ainda serão desencadeadas. Para a corrida eleitoral a largada foi dada. Ao Senado, exceto Requião, Gleisi, Fruet, Lupion e Barros são franco-atiradores pelos votos dos paranaenses. Sobrevive o espírito político de quatro lideranças com perfis diferentes. Permanecem as articulações, conchavos e altos investimentos em difusos aspectos. Somente o desejo é comum: o Senado Federal.

Publicado originalmente no Jornal do Povo, Dia 23/04/2009.

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