Na Irlanda não tem Brasília

Em meados de 2006, adquiriram uma Brasília cor predominante bege (reza o documento), mas carinhosamente alcunhada de “Brasília Amarela”. Entre idas e vindas, reformas e viagens, a Brasília foi ganhando notoriedade no cenário local e regional. Muitos são os curiosos e amantes que se aproximam da “máquina” para admirá-la, tirar uma casquinha, fazer ofertas ridículas de compra ou simplesmente tirar informações.
Fabricado de 1973 a 1982, o Volkswagen Brasília fez muito sucesso na época. Da senhora que compraram o carro, levava o apelido de “perua”. Simpática senhora! Prometeu-me versos e até hoje não os vi. E sim, claro! Pra quem ainda questiona as origens do veículo, ele é uma homenagem à capital nacional, por também contar com traços modernos e arrojados.
Ainda passeando pela história do VW Brasília, o mesmo é conhecido como irmão mais moderno do fusca, contando com a mesma mecânica de motor 1.600 cm³ e um tanto quanto mais espaçoso. Outro fato marcante é a música “Pelados em Santos”, do finado grupo Mamonas Assassinas, a qual relata a história de uma épica Brasília (o caso dos namorados é apenas pano de fundo).
Na última quinta-feira do mês, ocorre em Maringá um encontro dos reliqueiros, do Jabiraka motor club. Assim, dei aquela arrumada na brasa e parti rumo ao glorioso Willie Davids, outrora palco das partidas de algum time de futebol da cidade. Surpreendido, observei a fama da Brasília Amarela. Muitos perguntaram, outros contemplaram e até oferta de venda recebi. Nem sabia que estava tão famosa!
A Brasília está rompendo as barreiras regionais. Relíquia, conhecida somente pelo ronco do motor, sua folga no volante e faróis que iluminam a escuridão, o próximo passo é viajar até a Irlanda. Na bagagem, um cd do Terra Celta, música boa, de qualidade e devidamente apropriada para essa aventura, mais uma de tantas outras da “Brasília Amarela do Valenciano”.
