A vitória dos perdedores nas eleições 2008 em Maringá
Após quase três meses, as eleições de 2008 ainda deixam (deixaram) seqüelas em todos os grupos políticos de Maringá. Aos vencedores, o poder; aos perdedores, a reflexão. Já comentei em artigo anterior o poderio instaurado pelo grupo vencedor. Agora, em breves palavras, pretendo analisar quem “perdeu” a corrida rumo à prefeitura da cidade.
Nem só de percas são feitas as derrotas nas eleições. Ao ver uma criança ouvindo o jingle do Enio Verri esses dias, anoto que este foi quem mais avançou politicamente em 2008. Com a marca de aproximadamente 40 mil votos, Verri se consolidou como principal liderança do PT local e ganhou peso no Paraná. Ainda assim, ocupou no imaginário do eleitorado o ideal de opositor local – mesmo com os inúmeros comentários da aliança PT-PP nacionalmente e a desconfiança de Verri ser o candidato preferido para sucessão dos Barros. Enio soube corrigir no tempo certo os erros de seu programa de tv, injetou dinheiro na campanha no momento adequado e soube desde o começo onde queria chegar no pleito: marcar espaço para 2010.
Ao terceiro colocado, Wilson Quinteiro, graças ao maior espaço na mídia desde sua aparição encorpada na arena política local (2004), pode apresentar melhor suas idéias e demonstrar boa imagem diante das câmeras. No único debate realizado, Quinteiro de longe foi o melhor, utilizando a retórica de advogado que é. Dele, esperava-se mais; muitos, dizem que seus quase 15 mil votos foram sensacionais. Ainda assim, para uma campanha sem recursos e após um start promissor, as urnas deveram votos a Wilson Quinteiro. Por outro lado, seu nome para uma eventual campanha em 2010 cresceu, necessitando apenas mais organização e investimento para a vitória.
Aparentemente, dois grupos políticos e políticos se afundaram neste pleito ingrato: o ex-prefeito João Ivo e o Deputado Estadual Dr. Batista. Ao término de seu mandato em 2004, João Ivo obteve expressiva votação para Deputado Federal e, no posto de Coordenador da Região Metropolitana, Caleffi supostamente encarava a disputa com o apoio do Governo Requião. Supostamente. De fato, apenas Orlando Pessutti esteve mais engajado, com Requião notoriamente apoiando o candidato petista. João Ivo, com sua fraqueza nos discursos e diante da TV,não empolgou,e a campanha “Volta João” – alcançando os 12 mil votos deixou incerto o futuro político do ex-prefeito. A troca de partido (da militância petista para a indefinição peemedebista) também colaborou para a derrocada de João Ivo. Batista, desgastado das eleições em 2000 e 2004, saturou o eleitorado com as mesmas propostas e estilo de campanha. Cumpriu seu papel e, de fortalecido Deputado Estadual em 2006, tornou-se incógnita para 2010.
Para os chamados “pequenos”, de longe Ana Pagamunici (PSTU) é destaque. Bem no debate e erguendo as bandeiras do partido, Ana marcou espaço como primeira candidata mulher à Prefeitura de Maringá e soube aproveitar a mídia. É verdade que obteve poucos recursos para campanha. Todavia, 1.195 votos para uma candidatura socialista no município é marca invejável. Romancini, do PSOL, ainda com o discurso sindicalista na garganta pouco fez. Rogério Mello nem votos apurados obteve. Ana, apenas ratificando, brilhou entre os “nanicos”.
A vitória dos perdedores esteve elucidada. No xadrez político local e regional, aguardar a movimentação das peças para o futuro da Cidade Canção é o que se tem a fazer. Como citei acima, nem só de percas são feitas às derrotas nas eleições. Dos que perderam, alguns ganharam relativamente; outros ligaram o sinal de alerta; e muitos apostaram em candidatos, candidaturas e partidos. Cabe ao eleitor continuar votando e somente em 2010 podemos obter os reflexos destes candidatos no imaginário de quem vota.

