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Archive for Dezembro, 2008

A vitória dos perdedores nas eleições 2008 em Maringá

Dezembro 26, 2008 Tiago Valenciano 4 comentários

Após quase três meses, as eleições de 2008 ainda deixam (deixaram) seqüelas em todos os grupos políticos de Maringá. Aos vencedores, o poder; aos perdedores, a reflexão. Já comentei em artigo anterior o poderio instaurado pelo grupo vencedor. Agora, em breves palavras, pretendo analisar quem “perdeu” a corrida rumo à prefeitura da cidade.

 Nem só de percas são feitas as derrotas nas eleições. Ao ver uma criança ouvindo o jingle do Enio Verri esses dias, anoto que este foi quem mais avançou politicamente em 2008. Com a marca de aproximadamente 40 mil votos, Verri se consolidou como principal liderança do PT local e ganhou peso no Paraná. Ainda assim, ocupou no imaginário do eleitorado o ideal de opositor local – mesmo com os inúmeros comentários da aliança PT-PP nacionalmente e a desconfiança de Verri ser o candidato preferido para sucessão dos Barros. Enio soube corrigir no tempo certo os erros de seu programa de tv, injetou dinheiro na campanha no momento adequado e soube desde o começo onde queria chegar no pleito: marcar espaço para 2010.

 Ao terceiro colocado, Wilson Quinteiro, graças ao maior espaço na mídia desde sua aparição encorpada na arena política local (2004), pode apresentar melhor suas idéias e demonstrar boa imagem diante das câmeras. No único debate realizado, Quinteiro de longe foi o melhor, utilizando a retórica de advogado que é. Dele, esperava-se mais; muitos, dizem que seus quase 15 mil votos foram sensacionais. Ainda assim, para uma campanha sem recursos e após um start promissor, as urnas deveram votos a Wilson Quinteiro. Por outro lado, seu nome para uma eventual campanha em 2010 cresceu, necessitando apenas mais organização e investimento para a vitória.

 Aparentemente, dois grupos políticos e políticos se afundaram neste pleito ingrato: o ex-prefeito João Ivo e o Deputado Estadual Dr. Batista. Ao término de seu mandato em 2004, João Ivo obteve expressiva votação para Deputado Federal e, no posto de Coordenador da Região Metropolitana, Caleffi supostamente encarava a disputa com o apoio do Governo Requião. Supostamente. De fato, apenas Orlando Pessutti esteve mais engajado, com Requião notoriamente apoiando o candidato petista. João Ivo, com sua fraqueza nos discursos e diante da TV,não empolgou,e a campanha “Volta João” – alcançando os 12 mil votos deixou incerto o futuro político do ex-prefeito. A troca de partido (da militância petista para a indefinição peemedebista) também colaborou para a derrocada de João Ivo. Batista, desgastado das eleições em 2000 e 2004, saturou o eleitorado com as mesmas propostas e estilo de campanha. Cumpriu seu papel e, de fortalecido Deputado Estadual em 2006, tornou-se incógnita para 2010.

 Para os chamados “pequenos”, de longe Ana Pagamunici (PSTU) é destaque. Bem no debate e erguendo as bandeiras do partido, Ana marcou espaço como primeira candidata mulher à Prefeitura de Maringá e soube aproveitar a mídia. É verdade que obteve poucos recursos para campanha. Todavia, 1.195 votos para uma candidatura socialista no município é marca invejável. Romancini, do PSOL, ainda com o discurso sindicalista na garganta pouco fez. Rogério Mello nem votos apurados obteve. Ana, apenas ratificando, brilhou entre os “nanicos”.

 A vitória dos perdedores esteve elucidada. No xadrez político local e regional, aguardar a movimentação das peças para o futuro da Cidade Canção é o que se tem a fazer. Como citei acima, nem só de percas são feitas às derrotas nas eleições. Dos que perderam, alguns ganharam relativamente; outros ligaram o sinal de alerta; e muitos apostaram em candidatos, candidaturas e partidos. Cabe ao eleitor continuar votando e somente em 2010 podemos obter os reflexos destes candidatos no imaginário de quem vota.

CategoriasPolítica, Sociedade

Sobre o comércio de bebidas alcóolicas em Maringá

 

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Recentemente, os poderes Executivo e Legislativo de Maringá atuam em uma força-tarefa para a proibição da comercialização de bebidas alcoólicas em distância inferior a 150 metros dos estabelecimentos de Ensino Superior na cidade. Desde o primeiro vestibular da UEM de 2008, a venda desse tipo de bebida já está restrita nas imediações da mesma, ocasionando manifestações por diversos grupos (em especial os estudantes).

 No livreto “O que é liberalismo”, Donald Stweart Jr. argumenta os pilares do Liberalismo Econômico, caracterizando-o como igualdade de oportunidades e de livre iniciativa dos empresários. O Estado, portanto, deve proporcionar apenas as condições inerentes à atividade do empresário. Os impostos devem, portanto, possuir valores baixos, incentivando o empresário a produzir mais e gerar ainda muitos empregos.

 Liberalismo também é liberdade. Liberdade de entrada não só nos meios de produção, mas também de ação, expressão e participação política. Desconfiar do Estado e defender a iniciativa privada também é algo inerente aos liberais, sempre na busca incessante pela liberdade. Tal linha de raciocínio está expressa em “O pensamento liberal moderno”, do Deputado Estadual de São Paulo, João Mellão.

 Ora, após estas breves considerações sobre o liberalismo, questionamos: o liberalismo e as garantias da liberdade e direitos estão presentes na discussão da alcunhada “lei seca” em Maringá? Certamente não. Oprimidos e com os direitos de iniciativa fadados pelo poder público, os comerciantes situados em torno das universidades estarão obrigados a fecharem as portas. Um absurdo. E como vão se sustentar?

 Além desta redução de direitos, extinção da liberdade e opressão contra os empresários do ramo, de nada vale restringir o comércio em determinadas áreas ao passo em que toda a cidade a venda é permitida. Se tal proposta for aprovada, a “lei seca” em Maringá estará a um passo de vigorar em todos os limites do município, estaremos nos remetendo aos tempos de repressão da ditadura militar.

 Anoto, por fim, que a solução é permitir a comercialização por parte dos donos de bares e similares e não criar a “lei seca” no município. Campanhas de conscientização – principalmente voltadas para o binômio dirigir/beber são salutares. E que a liberdade da população seja mantida, acima de tudo!

 Nota: no artigo que aqui publiquei intitulado “A orgia na zona sete”, sugiro medida parecida: festas sim, bebidas sim, mas ultrapassar os limites não. Peço desculpas a todos que interpretaram mal àquelas palavras.