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Archive for Abril, 2008

Acabo de comprar uma Tv a Cabo

TV a Cabo – Zeca Baleiro

Composição: Otto

Acabo de comprar
Uma TV A Cabo
Acabo de entrar prá solidão
Acabo!
Acabo de cair no 16
Acabo!
Acabo me tornando
Um usuário…

Do 12 pro 57
É um assalto!
É um assalto!
É um assalto!…

É 171! Vai Net!
171! Vem Net!
171! Vai Net!
171!

Só não caí
Porque sou um nordestino
Bem alimentado…

A vida passa
Telefono e você
Já não atende mais
Será que já não temos tempo
Nem coragem de dialogar
Ainda ontem pela praia
Alguma coisa me lembrou você
E veio a noite
Namorados se encontrando
E eu estava só…

Considerando o conceito de “representação”, o sistema que abrange a “teoria da comunicação” é adequado para tratar o assunto, principalmente por intermédio do signo, a soma do significante (elemento concreto) e o significado (elemento inteligível). Assim, a representação pode assemelhar com um signo, na tentativa de expor uma determinada idéia: não concreta, mas perceptível aos olhos do receptor das mensagens.

Em “Tv a Cabo”, escrita por Otto e interpretada por Zeca Baleiro, já na primeira estrofe há afirmação de que a compra da Tv a Cabo transforma o consumidor em um passivo usuário de um sistema, torna-o cada vez mais distante da sociedade, proporcionando assim uma solidão. A idéia exposta em “Do 12 pro 57/ É um assalto!” pode ser expressa por um sistema televiso que, ao passo que oferece oportunidades de escolha, cria altas despesas para manutenção ao consumidor. O “171” demonstra o artigo com o mesmo número do Código Penal: estelionato, ou seja, dar o golpe na pessoa que adquire o serviço de Tv por assinatura. Entretanto, por ser “um nordestino bem alimentado” – aqui remetendo a idéia de que migrantes nordestinos não são inteligentes ou espertos, não há possibilidade de cair em tal malandragem.

Ainda na crítica aos aparelhos digitais comunicativos, o autor dá ênfase à tentativa de ligar (logo, se comunicar), porém a pessoa não atende a ligação. Logo, o telefone é colocado como ferramenta que agiliza a vida das pessoas e, por sua impessoalidade, deixa-nos sem “coragem de dialogar” e sem tempo hábil para se encontrar. Sem atender ao chamado, o telefone fica sem utilidade alguma. Outro exemplo é o caminhar pela praia, o encontro com um casal de namorados e a solidão, de novo, atormentando a vida deste cidadão.

Sutilmente, Otto alfineta seus ouvintes, argumentando a solidão ocasionada pela Tv a Cabo e o telefone, hoje, expandindo-se também até a internet. Assim, o espaço para a impessoalidade é ampliado, vez que não assumimos nossa verdadeira identidade. Seriamos, então, reféns de uma modernidade solitária e impessoal?

As ciências sociais no ontem e no hoje em mim

Eram meados de 2002. Tinha eu 15, praticamente 16 anos. Acabava de obter o maior êxito em uma carreira política que começou, porém estagnou: eleito Deputado Estadual Jovem, pelo Parlamento do Estado de São Paulo. Entrei no Ensino Médio, no Colégio Objetivo em Presidente Prudente-SP. Logo, surge o dilema: qual profissão seguir?

Através de buscas aleatórias, descobri o curso de Ciências Sociais. Desde então, me apaixonei. Procurei sempre conhecer mais acerca do curso e, em dois anos seguidos de orientação vocacional, as Ciências Sociais me perseguiam constantemente, surgindo como um fantasma nos meus vagos pensamentos. Assim, prestei vestibular na UEM, fui aprovado e comecei a longa caminhada acadêmica em 2005.

Neste ínterim – 2005 a 2008, aprimorei os detalhes das três sub-áreas (Antropologia, Sociologia e Ciência Política), na tentativa de obter a certeza de que era essa a profissão que escolhi. Resultado: era isso mesmo! No princípio, ouvia os mesmos comentários acerca das sociais: “irá passar fome”, “o que faz isso?”, “é um curso que mexe com a cabeça”. Passar fome não, ainda não sei o que faz um cientista social, face à gama de possibilidades de atuação e definitivamente o curso “mexe com a cabeça”.

Atualmente, num processo intenso de auto-observação, vejo que mudei gostos, preferências, hábitos, amizades e muito mais. Do sertanejo pra uma MPB crítica e analítica; da organização extremada ao desleixo com coisas outrora importantes, agora banais; ver a sociedade com olhar diferenciado, um sem nexo e preocupante com tudo que ocorre; antes, achava que tudo era simples: hoje, tudo é mais complicado que antes; sabia diferenciar amor de amizade, agora nem sei mais quem sou…

Desses processos citados, a simplicidade da vida certamente não ocorrerá nunca mais. Tudo é mais complicado do que pensamos, tudo é difícil e depende de relações inerentes a acontecimentos, partindo não só do “corpo social”, parafraseando Émile Durkheim, mas também das emoções individuais (agora, citando Max Weber), quiçá até com a dialética marxista tão famosa nos corredores da UEM.

Nisso, deparo-me com o quarto e último ano do curso: o que fazer agora? Atuar em qual área? Utilizar esse gigante conhecimento para qual fim? Ainda não sei responder essas questões, todavia sei que as dificuldades implicadas pelas Ciências Sociais alteraram completamente meu ser; agiu em mim, age na sociedade e se não se cuidar, mudará você, caro leitor…

Perfil político-eleitoral: Ricardo Barros

ricardo barros

A articulação, conexão existente entre fatores ou ações, é um instrumento primordial no universo da política. Quem normalmente a realiza é porque possui a habilidade de intermediar as negociações, seja para adquirir verbas públicas para um determinado fim, seja para unir forças políticas em torno de um mesmo ideal. Em Maringá, há um personagem que é citado em qualquer discussão acerca da política, de articulações partidárias até os bancos das universidades: Ricardo José Magalhães Barros. Neste ensaio, nosso objetivo é traçar o perfil político do Deputado, delimitar suas “bases eleitorais”, abordar brevemente seus projetos realizados na Prefeitura de Maringá entre 1988 e 1992 e na Câmara dos Deputados (1994-2010) e analisar entrevista concedida pelo mesmo em janeiro de 2008.

Ricardo José Magalhães Barros, conhecido por Ricardo Barros, RB, nasceu dia 15 de Novembro de 1959, em pleno governo de Juscelino Kubitschek, curiosamente 70 anos depois da Proclamação da República. Filho do ex-prefeito Silvio Magalhães Barros, seguiu a carreira política vitoriosa do pai, este Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Prefeito da “Cidade Canção”. Graduado em Engenharia Civil pela UEM (1977-1981), o ingresso de Ricardo no cenário político deu-se em 1988. No ano da promulgação da “Constituição Cidadã” pela Câmara dos Deputados, Barros se candidata à Prefeito de Maringá, com 29 anos na época.

Em uma eleição a qual não era o favorito, Ricardo venceu Ademar Schiavone e João Preis, candidato do então prefeito Said Ferreira, dotado de uma campanha em que o marketing político dominou. Com um programa bem elaborado, um candidato jovem, “não viciado” na política e sempre portando um sorriso e vendendo a imagem do “bom moço”, Ricardo Barros superou a tudo e a todos, arrancando dos cerca de 2% iniciais nas intenções de voto para vencer e subir as escadarias do paço municipal. Naquela oportunidade, o partido escolhido para a disputa foi o PFL, atual Democratas, o qual havia sido fundado no município. Após tentativas frustradas com Antonio Ueno e o radialista Lindolfo Júnior, tal grupo comandante do PFL o deixou, passando a figurar o chamado “Grupo Renovação”, composto pelo líder principal: Ricardo Barros. Era o homem ideal para disputar a prefeitura em 1988. Com ele, alguns componentes conhecidos da política local vieram juntos, como Willy Taguchi, Paulo Magalhães e Miro Falkemback. O Presidente do PFL em 1987 (com a chegada de tal grupo) era Dirceu Sato. O partido foi sustentáculo para a candidatura de Ricardo. Com eleições vencidas e dois vereadores eleitos, o PFL ganhava força na cidade. Todavia, disputas internas se acirravam. Ricardo não disputou a reeleição. Esta decisão abriu espaço para Miro Falkemback disputar a prefeitura de Maringá em 1992. Com a derrota de Miro e a candidatura para Deputado Estadual em 1994 (nova derrota de Falkemback), o grupo estava desgastado e a impressão de que o mesmo era utilizado como base para os vôos políticos de Ricardo Barros agravaram a relação. Ricardo partiu em 1997, deixando um PFL fraco e que só contou com expressão política quando da candidatura do irmão Silvio Barros II para a Prefeitura em 1996 e principalmente da vinda do Deputado Estadual Divanir Braz Palma para o mesmo.

Durante o mandato como Prefeito, Ricardo enfrentou o chamado “grupo dos oito” com o “grupo dos treze” no legislativo municipal. O primeiro, contra a administração Barros; o segundo, sua base de apoio. Esta manobra era necessária, vez que durante o pleito de 1988, como exposto acima, o PFL elegeu apenas dois vereadores. Evidenciando tal articulação, Ricardo desenvolveu no período de prefeitura sua fama de “principal articulador político de Maringá”. Nos trabalhos da prefeitura, os destaques ficam por conta do início da obra da Câmara de Vereadores; O projeto de desenvolvimento do “Novo Centro”, como a construção do Terminal Urbano; Os teatros “Barracão” e “Reviver”; e a implantação do Conselho Tutelar de Maringá.

Encerrada sua participação no executivo, experiência esta única na carreira política de Ricardo Barros, alcançar o legislativo era o próximo passo. Em 1994, ainda filiado no PFL, Barros é eleito Deputado Federal, com 54.049 votos, oitavo colocado geral e terceiro colocado do partido, este que venceu com sete parlamentares. Eleger-se Deputado Federal é o primeiro passo para sua trajetória no congresso nacional. O parlamento, assembléia dos representantes eleitos pelo povo, definitivamente é o lugar mais apropriado para Ricardo: é nele em que os ajustes e negociações políticas são realizados. Os debates, a arte do convencimento (importante no campo político), no parlamento em que se joga o jogo, jogo o qual um simples vacilo cometido pode acarretar prejuízos irreparáveis. Ricardo adora esse jogo.

Na Câmara dos Deputados, Ricardo foi eleito por mais de uma vez um dos “Cabeças do Congresso”, prêmio oferecido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Os projetos de relevância se caracterizam nas mais diversas áreas: Luta contra o câncer de mama; Criação do Seguro Obrigatório para Direitos Trabalhistas; Dispositivos na CLT; Obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para menores de 16 anos; e vários projetos que demandam verbas públicas, por exemplo, as obras da vila olímpica de Maringá e também o rebaixamento da linha férrea no “Novo Centro”. Curiosamente, há maior destaque em seu site pessoal (www.ricardobarros.com.br) para as obras nos tempos de prefeitura, com uma seção específica para o período.

No ano de 1998, uma nova campanha estava por vir. Ricardo Barros, candidato à reeleição, venceu com 68.919 votos. Foi o décimo quarto colocado, posição bem inferior ao patamar alcançado quatro anos antes. Quiçá, este desempenho seja pela troca de legenda, do PFL pro PP, ex-PPB. Nele, obteve o quarto lugar. A partir de então, iniciaremos o debate sobre as “bases eleitorais” do Deputado. Na tabela abaixo, verifica-se o princípio da aquisição de “identidade eleitoral” de Ricardo. Com base fixada em Maringá, 49,3% dos votos foram obtidos ali, quase a metade de todo o eleitorado. Outras cidades no entorno de Maringá também aparecem bem colocadas, como Marialva, Sarandi, Paiçandu e Mandaguaçu. Pelo fato de nem se localizar próxima a Maringá, a surpresa é Pitanga, município localizado no Centro-sul do Estado, com aproximadamente 34 mil habitantes. Lá, Ricardo adquiriu 3.469 votos, 5% da soma total de seus votos. Em representação municipal, Ricardo foi votado em 285 municípios do Estado.

A tendência do aumento do eleitorado mais uma vez é ratificada em 2002. 118.036 votos foram recebidos pelo Deputado, número este 42% superior aos votos somados na eleição anterior. Desta vez, Ricardo foi o sexto lugar geral, o segundo colocado do Partido Progressista. Até então, há o fator de ter se sobressaído partidariamente: vice-líder do partido (1997-1999) e vice-líder do governo (1999-2002) e líder em 2002. Tais funções desempenhadas no congresso exprimem o prestígio alcançado na classe política. Maringá segue firme na ponta, consolidando-se como reduto eleitoral de Barros, agora com 40,4% dos votos obtidos. Há, sobretudo no resultado desta disputa eleitoral, a aproximação dos votos logrados nas demais cidades com o pólo eleitoral (Maringá). Até a quarta colocação, figuram na tabela abaixo cidades próximas à “Cidade Canção”: Cianorte (2°); Sarandi (3°); Marialva (4°), seguindo até ao 10° lugar (Floresta). Outra vez, Pitanga surge em boa colocação, uma “diferença” nos demais oito municípios que pertencem à região de Maringá. Neste ano, os votos do Deputado estiveram presentes em 343 dos 399 municípios paranaenses.

Caindo para a sétima colocação geral em 2006, adquirindo 130.855 votos, recorde de votação na história do Deputado, Ricardo agora preside o Diretório Estadual do PP. Atualmente, mesmo colaborando na campanha para presidência de Geraldo Alckmin (PSDB), é vice-líder do governo Lula (PT), já que o PP é um dos partidos de sustentabilidade governamental. Ricardo foi o mais votado do partido no Paraná, solidificando o papel de “maior liderança política” do PP no Estado. Ainda ao comprovar o papel de Maringá como “base eleitoral” (35% dos votos), tal aspecto se alterou desde o primeiro mapeamento, realizado em 1998. Verifica-se, portanto, a intenção de disseminar os votos de Ricardo por todo o espaço geográfico do Paraná, ampliando as ações políticas e, consequentemente, os votos do Deputado. Uma faceta semelhante à de 1998 é a diversidade dos dez municípios em que Ricardo Barros obteve a maior votação. Dissemelhantemente de 2002, não há grande parte das melhores colocadas que se situam na região de Maringá, apresentando assim a variedade da votação de Barros. Tal semblante pode caracterizar um futuro político para o mesmo, almejando disputar cargos com maiores proporções (sonda-se a intenção de Ricardo Barros candidatar-se ao Senado Federal em 2010). Este fato justifica-se pelos votos alcançados em 336 municípios, 7 a menos que em 2002, mas que significam 85% dos municípios do Paraná.

Ainda insistindo na tese de que o reduto eleitoral de Ricardo Barros é Maringá e região, o gráfico abaixo mostra o comparativo entre os votos obtidos em Maringá e nos municípios que compõem a atual COMEM (Coordenadoria da Região Metropolitana de Maringá), nos processos eletivos de 1998, 2002 e 2006, com os votos nos demais municípios do Estado. Em 1998, 64% dos votos foram obtidos na Região Metropolitana de Maringá, maior patamar entre os três analisados. Já em 2002, mesmo figurando na COMEM sete das dez cidades onde Ricardo mais recebeu votos, a concentração eleitoral na região caiu para 58%, índice este semelhante ao de 2006 (57%). Este comportamento remete à idéia de descentralização eleitoral de Ricardo, a fim de amplificar os horizontes do político.

Figura 1: Comparativo de votos obtidos pelo Deputado Ricardo Barros (PP) na Região Metropolitana de Maringá com os demais municípios do Paraná.

Neste gráfico, a evolução da colocação geral no Paraná é demonstrada. Exceto o pleito de 1998, certa colocação média (6° lugar) é mantida, ótima colocação, considerando que a bancada de Deputados Federais do Paraná é composta por 30 membros. Em relação à competição interna, Ricardo atingiu o topo na última eleição. Todavia, sempre esteve bem situado perante os demais companheiros partidários.

Figura 2: Colocação do Deputado Ricardo Barros (PP) em relação aos Deputados Federais do Paraná e os Deputados de seu partido.

Eram 14h do dia 16 de Janeiro de 2008. Inesperadamente, recebo uma ligação da secretária do Deputado Ricardo Barros, averiguando a possibilidade de realizar a entrevista naquele dia, 17h30, em seu escritório político. Confesso que havia perdido as esperanças de conversar com o Deputado, o então citado como “articulador” político-mor de Maringá, aquele que angariou apoio em 2006 de onze dos quinze vereadores locais. Prontamente, atendi ao pedido e me dirigi no horário marcado. Com atraso no vôo, iniciamos a entrevista aproximadamente 18h daquela quarta-feira.

Ricardo trajava uma camisa jeans, combinando com a calça, traje já observado em outros encontros públicos com o político. Em sua mesa de trabalho, poucos papéis e ao lado uma mesa com um computador, apenas à vista o teclado, mouse, monitor e uma webcam. Na tela, o Messenger aberto em uma solitária janela. A imagem de exibição: Peças de Xadrez. Exceto a foto do mesmo, não há imagem melhor para expressar o perfil de Ricardo, o verdadeiro “rei” do jogo político local, ditando as regras da disputa e causando preocupação em quem participa das partidas. Fui contemplado com um suco de abacaxi por um de seus assessores, naquele fim de tarde caloroso. Aqui, vale uma ressalva: a assessoria de Ricardo Barros é impecável, em todos os cuidados possíveis e na divisão do trabalho a ser executado. Racionalmente, cada assessor parece cuidar de determinado fim. No escritório, muitos quadros expondo prêmios e títulos, algumas fotos do tempo da prefeitura e uma foto do pai.

A primeira questão abordava o ingresso de Barros na política. Citou, então, o “grupo renovação” (não com essa termologia), mas sim o anseio de assumir a prefeitura em 1988. Este acontecimento de entrada na política deu-se por um tipo puro de dominação, segundo o alemão Max Weber: a dominação tradicional, aquela advinda por força da tradição de geração em geração. Filho de um ex-prefeito, Ricardo possuía sem dúvida o capital político para disputar – e vencer, sua primeira eleição.

Questionado sobre as experiências adquiridas no legislativo e no executivo, Barros cita alguns projetos (já destacados acima) e o último destaque é por conta do livro “De olho no dinheiro do Brasil”, lançado no final de 2007. Já acerca da definição política-ideológica e atuação partidária, na primeira Barros se declarou “liberal”. É um posicionamento até então esperado, visto que surgiu politicamente no Partido da Frente Liberal e esta auto-definição condiz com os projetos tramitados na Câmara dos Deputados. O relacionamento com a Câmara de Vereadores foi considerado bom, vez que já dito acima, em nossa definição, onze dos quinze Vereadores o apoiaram.

Por fim, a última questão delimitava sobre a influência, inspiração e um certo medo causado pelo nome “Ricardo Barros” na política local. Segundo o Deputado, tal comportamento é “folclore”. Cabe, então, salientar que o folclore é cultura popular, constituído por costumes, lendas e tradições. O “folclore” de Ricardo Barros existe. O costume de votar nele só aumentou, tal colocado acima. Dos 54.049 votos para as cifras de 130.855 votos, praticamente triplicando o eleitorado. Tradicionalmente, o legado iniciado com Silvio Magalhães Barros se perpetuou. Hoje, dois filhos foram prefeitos (Silvio Magalhães Barros II é o atual prefeito de Maringá, gestão 2004-2008). Este “legado” continua – e continuará também com a Deputada Estadual Cida Borghetti, esposa de Ricardo, eleita em 2002 e reeleita em 2006. A lenda sobrevive: pensar política em Maringá sem pensar em Ricardo Barros é não conhecer o folclore do jogo, direcionado em muitos aspectos por Ricardo e com as peças do xadrez sabiamente movimentadas.

Foto: www.ricardobarros.com.br

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Torcidas Organizadas em Maringá como forma de lazer

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Na abordagem acerca do lazer e diversão durante a adolescência, esbarramos desde já na primeira divergência para caracterização da faixa compreendida para a mesma. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o adolescente se encontra entre os dez e vinte anos de idade. Todavia, utilizaremos a distinção concebida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o qual situa os adolescentes na faixa entre os doze e dezoito anos.

Após esta distinção de quem realmente participa desta etapa do desenvolvimento humano, constituímos o recorte dos adolescentes que vivem em Maringá. Fundada pela Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná, a “Cidade Canção” (alcunha dada em alusão à música ‘Maringá, Maringá’, que batizou a cidade) possui cerca de 330 mil habitantes.

Segundo a pesquisa “Retrato Maringá 2006”, realizada pela JGV Pesquisa de Mercado e Opinião, a principal atividade de lazer do jovem maringaense é ouvir música.No entanto, para a questão do lazer associado ao esporte, a maior torcida de um time de futebol – a modalidade mais popular no Brasil, pertence ao Corinthians (33,3%), contra 17,1% do Santos, 15,3% do Palmeiras e 10,8%. Apenas 5,4% das pessoas declararam torcer por times do Rio de Janeiro e 18% para nenhum time. E, na mesma pesquisa, 40,5% “concordam totalmente” que a cidade possui ótimas áreas de lazer.

         A questão “futebol” em Maringá é uma discussão pautada por vários caminhos ao longo do tempo. Verdade imutável na trajetória do esporte bretão na cidade é o Estádio Regional Willie Davids, o único palco dos jogos desde a implantação futebolística na “Cidade Canção”. Entre os caminhos das diversas equipes, aquela onipresente na memória do torcedor é o chamado Grêmio Maringá. Fundado em 1961 com a alcunha de Grêmio Esportivo Maringá, foi Campeão Paranaense em 1963 e 1964. Desativado em 1971, retornou em 1974, com o nome Grêmio de Esportes Maringá, sagrando-se Campeão Paranaense de 1977. Outra vez sepultado em 2005, o GEM agora existe somente como nome fantasia, de um time vendido e parado futebolisticamente.

Não detalhando historicamente os demais times, após esta saída de cenário do Grêmio, surge em 2005 a Sociedade União Esportiva Maringá, com o nome fantasia “Galo Maringá”, em alusão à mascote do GEM, o Galo. Não durou muito, o Galo Maringá 23 funde-se em 2006 com a Associação Desportiva Atlética do Paraná, a ADAP, firmando-se com o nome ADAP/Galo Maringá Futebol Clube. Pelo exposto até o presente, há de se justificar a nebulosidade de siglas e equipes que representaram Maringá no cenário do futebol Estadual e Nacional. Por caracterizar uma atividade de lazer, o futebol nos estádios sempre empenhou multidões, dentre elas, os jovens e adolescentes.

Normalmente relacionadas à desordem e violência, as torcidas organizadas surgiram na década de 40, com o Flamengo e o Vasco da Gama, ambos do futebol carioca. Segundo Carlos Alberto Máximo Pimenta, o comportamento dos torcedores nos estádios mudou:

Dos anos 80 para cá, sabe-se que, no Brasil, o comportamento do torcedor nas arquibancadas dos estádios de futebol modificou-se consideravelmente. Isso se deu pelo surgimento de configurações organizativas com característica burocrática/militar, fenômeno essencialmente urbano que cria uma nova categoria de torcedor, ou seja, o chamado “torcedor organizado.(PIMENTA, 2000, p. 123.)

Todavia, não analisaremos esse aspecto em certo ponto “violento” das torcidas, mas sim uma fuga para o lazer e diversão com os demais membros. O que caracterizam as torcidas organizadas ou uniformizadas são o nome (muitos imitados), o uniforme e os cantos, entoados durante as partidas. Essa identidade visual e sonora cria uma mística nos estádios, algo que somente quem assiste aos jogos consegue perceber, seja ao vivo ou por aparelhos de tv.

Ainda nas questões referentes à realidade de Maringá, a ADAP/Galo Maringá conta atualmente com três torcidas organizadas: “Galo Terror”, “Fúria Alvinegra” e “Torcida Jovem”. Contaremos de forma resumida a história das três torcidas. Por fim, há a entrevista com Gustavo Bordini, um dos integrantes da “Galo Terror”.

A torcida “Galo Terror” foi fundada em 10 de Abril de 1989 e é mais velha até que o próprio clube apoiado. As cores oficiais são preto e amarelo e para participara basta contribuir com a taxa de R$ 5,00 mensais. O lema é “Acima de nós, só Deus”, posicionando-se nas arquibancadas ao lado esquerdo das vista das cabines de transmissão do estádio. Atualmente, o site está em manutenção e apenas a comunidade na rede de relacionamentos “orkut” é mantida, contando com cerca de 500 participantes. Nela, são 24 debatidos tópicos relacionados à confecção de camisetas, viagens para acompanhar o time e a atuação do time como um todo.

Já a “Fúria Alvinegra” posiciona-se ao lado direito a partir da vista das cabines de transmissão. Fundada em 01 de Novembro de 2006, é recente e surgiu no bojo do relançamento da equipe, após a fusão com a ADAP. Na comunidade da torcida, cerca de 800 participantes e as discussões estão em torno da futura sede. Também pode se orgulhar de contar com mais membros no estádio, apoiando a equipe. O lema é “Com o Galo, sempre”.

Por fim, a terceira e última é a “Torcida Jovem”, fundada em 5 de Fevereiro de 2007 e conta com uma particularidade: é a única torcida organizada que assiste aos jogos nas cadeiras do estádio. O lema é “Torcida Jovem é Força, Dedicação e União” e conta com membros no início da adolescência, faixa etária de 12 a 14 anos, essencialmente. Em sua comunidade congrega proximadamente 200 adeptos e as cores são preto e branco. No site (http://torcidajovem.no.comunidades.net/) aceitam-se inscrições para participação na mesma e conta com uma seção apenas para os “gritos” (cantos) entoados no estádio.

Devidamente apresentadas, optamos por entrevistar um membro da torcida organizada “Galo Terror”, tratando-se da mais antiga e de mais tradição nas arquibancadas do Willie Davids. Assim, segue na íntegra a entrevista com Gustavo Bordini, membro da torcida organizada Galo Terror e mantenedor de um site específico para a torcida da ADAP/Galo Maringá, o www.torcedoresdogalo.com:

Tiago Valenciano – Porque você participa de uma torcida Organizada?

Gustavo Bordini – Quando comecei a ir ao estádio, isso em 1999 eu ia acompanhado do meu pai e sempre assisti aos jogos nas cobertas. Já a partir de 2005 ainda com meu pai comecei a freqüentar a “turma do sol” e assistia aos jogos sentado, quando muito levantava na hora do gol. Mas comecei achar aquilo muito desanimado e fui atraído pelo “batuque” da Galo Terror e me interessou aquele modelo de torcer, cantando e pulando e ainda em 2005 já entrei para a torcida.

TV – Quais os benefícios na sua participação na torcida?

GB – Antes eu participava da torcida. Só me fazia presente para torcer. Hoje trabalho em prol da Galo Terror e meu maior benefício é ver a satisfação dos associados. O corpo diretivo da organizada busca oferecer uma festa não só ao time, mas para todos que freqüentam a Terror. Nossa satisfação maior é ver que pudemos proporcionar uma festa legal para todos que se fizeram presente. Não espero qualquer tipo de lucro com a Galo Terror, não existe dinheiro que pague um agradecimento de um sócio. A satisfação de nossos companheiros não tem preço.

TV – É, de fato, uma excelente opção para seu lazer?

GB – Sem dúvidas. Entrei para a organizada para pular e cantar. Para mim isso é lazer. Acho que hoje não consigo assistir a um jogo de futebol sentado. Não troco um jogo do Galo por nada nesse mundo.

TV – Qual a média de idade do pessoal que participa da Galo Terror?

GB – A idade fica em uma média de 16 a 25 anos. Grande parte da torcida são pessoas de idade aproximada há 25 anos, mas nos últimos anos muitos jovens estão entrando para a organizada. Hoje temos ali crianças de 14 anos até associados de mais de 40 anos. Varia muito. A tendência é a média cair. Muitos saem da torcida para fazer a vida, ao mesmo tempo em que muitos jovens despertam interesses em participar da Galo Terror.

TV – Quais as relações que vocês mantêm com as demais torcidas

organizadas, seja em Maringá e no país? Quais as boas e as ruins?

GB – Em Maringá. Nossa relação com a Fúria Alvinegra é razoável. Não existe uma grande amizade entre ambas, mas sim respeito. No Paraná. Sempre fomos bem recebidos em Cianorte. Embora não haja qualquer relação com a Ira do Leão, nunca tivemos problemas no Albino Turbay. Temos grande respeito pela Império do Coritiba, isso desde a gestão 2005/Fevereiro 2007 do ex-presidente da torcida que é da Império Alviverde. A relação sempre será a pior possível quando tratamos em: Falange Azul do Londrina, Caldeirão do Paranavaí, Os Fanáticos do Atlético e Serpente Tricolor do Cascavel. No Brasil. Temos boas relações com as organizadas do Noroeste de Bauru e Galoucura do Atlético Mineiro.

De fato, além de considerar a participação na torcida organizada como passatempo, nosso entrevistado vive a paixão despertada pelo futebol. O lazer na organizada supõe pular, cantar e dançar. É uma festa, a qual somente (ou talvez não) uma má atuação do time pode propiciar. No entanto, integrar uma torcida organizada em uma cidade onde frequentemente são realizadas partidas de futebol como Maringá é uma opção de passatempo e diversão dos adolescentes, despertando múltiplas emoções durante os jogos.

BIBLIOGRAFIA

PIMENTA, C.A.M. Violência entre torcidas organizadas de futebol. São Paulo

Perspec., Jun 2000, vol.14, no.2, p.122-128.

RETRATO Maringá 2006. In: JGV Pesquisas de Mercado. Retrato Maringá. 2006.

Disponível em: <http://www.flaviovicente.com.br/retrato.html> . Acesso em: 19 novembro 2007.

GRÊMIO de Esportes Maringá. In: Tudo Maringá. Tudo Futebol. 2007. Disponível em: <http://www.tudomaringa.com/tudofutebol/index.htm>. Acesso em: 19 Novembro 2007.

Foto: www.adapgalomaringa.com.br