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Archive for Março, 2008

A “orgia” na Zona 07 em Maringá

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Segundo dicionários e enciclopédias mais conceituadas, podemos definir a palavra orgia como a “prática sexual com várias pessoas”. O que ocorre atualmente nas imediações do Jardim Universitário e na Zona 07, em Maringá, assemelha-se a uma orgia. É a prática pura e irrestrita da “festa do apê”, de latino ao sertanejo típico brasileiro, uma festa com hora marcada pra começar e sem limites pra acontecer e terminar.

Desde que mudei para o Jardim Universitário, sofro com o som alto e algazarras dos mais diversos tipos em torno de meu apartamento. No princípio, até achei algo altamente normal, assumindo o discurso dos diretores (ex-diretores também) do DCE que residimos em um bairro universitário e as festas, realizadas para “descontrair”, são normais. Entretanto, a situação piorou e aquele tão sonhado descanso “após as 10 da noite” não acontece mais.

Mesmo durante os dias da semana, os quais normalmente as pessoas trabalham e tomam conta dos seus afazeres, a Zona 07 (englobado o Jardim Universitário) pulsa e vibra nas noites. Carros cantam pneus, “estudantes” se amontoam nas vias públicas e gritos/som alto vão até o dia amanhecer.

Em época de vestibular, meu direito constitucional de ir e vir é violado: pra entrar ou sair de casa, demoro cerca de meia hora. Um absurdo. Sem falar na poluição evidente nas vias públicas, bem como a já citada e objeto principal dessa discussão, a poluição sonora, tomando proporções além do imaginável e aceitável.

Este é um caso que deve ser resolvido rapidamente. Delimitar os horários de funcionamento dos bares creio que não seja uma boa idéia, já que a liberdade de venda do comerciante seria violada. De fato, essa tarefa de conter os ímpetos desses pseudo-estudantes cabe à polícia e autoridades locais, no intuito de resolver uma reclamação estendida há anos pelos munícipes dessa região, afetada por forasteiros sem limites para festar.

Somente com rigidez nos atos e conscientização dos jovens é que o sossego possa voltar e o direito de todos seja respeitado, organizando essa vida intensa universitária e dizimando de uma vez a orgia onipresente nos arredores do bairro universitário maringaense.

Foto: Ivan Amorim, “O Diário do Norte do Paraná” 16/03/2008

Bateria da Antropologia

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A bateria foi criada no início do século XX, formada por um conjunto de vários sons de percussão: chimbal, pratos, tons, bumbo e caixa, basicamente falando. Quem toca bateria sabe que não basta “bater” e assim extrair um som qualquer, como se fosse apenas um barulho às vezes altíssimo criado pelo músico: é a expressão pura e simples de um som inconfundível e presente em quase todos os estilos musicais.

Aprendi a tocar bateria nos anos 2000, ou seja, aproximadamente cem anos após a “invenção” da mesma, nos moldes que conhecemos. Acaso do destino ou não, sempre curti sons relacionados à percussão. Curioso o método de aprendizagem: apenas o ouvido e alguns testes com baquetas em sofás, almofadas e outras superfícies macias.

Relacionalmente falando, o que a bateria possui em comum com a antropologia? O olhar, o ouvir e o escrever/tocar antropológico. Roberto Cardoso de Oliveira em seu ensaio acerca do “Trabalho do Antropólogo” nos ensina essas três premissas básicas para o exercício da antropologia: olhar “estranhado”, sempre atento aos acontecimentos; o “ouvir” além do que se ouve; e escrever, pois apenas através do registro é que podemos expressar de modo concreto e histórico nosso pensamento.

Tanto a bateria como a antropologia se relacionam entre si: é preciso olhar pra se inspirar; é preciso ouvir para reproduzir; é preciso tocar para se expressar. Assim é o exercício do antropólogo, atentíssimo ao seu meio e onipresente aos fatos após demonstrados por meio de textos.

Nos últimos dias, ouvi várias vezes a necessidade do ser humano “se colocar no lugar do outro para entende-lo melhor”. Essa não é tarefa da antropologia? E se acaso você ver, ouvir e compreender o outro, não se relacionará melhor com as pessoas de seu meio social? Possivelmente sim. Tocar bateria também é isso: quanto mais treino e observação, melhor aprimoramento da técnica. Pode parecer viagem – mais uma das que faço nesse blog, todavia a antropologia, munida das ações humanas, se interpenetra com meu gosto pela música percussiva.