
Durante a leitura do artigo intitulado “Semanas de Sociologia com Alunos do Ensino Médio da Rede Pública: da reflexão à prática”, de Ângela Maria de Sousa Lima e Jaqueline Ferreira, há a preocupação em debater o ensino da sociologia no ensino médio, com a experiência da realização das “Semanas de Sociologia”, em escolas da rede pública do NRE-Londrina.
Diante desta experiência, a primeira questão polemizada é que a realidade do ambiente escolar e do convívio social se interpenetram na educação, na tentativa de transpor tal lacuna existente. Nisto, uma concepção humanista de educação é colocada, com o homem em um fim a ser atingido. Logo, esta conexão entre o que é ensinado na escola e o “ser social” deve ser estabelecida. Para Gramsci, a escola é o instrumento a ser utilizado para que esta idéia torne realidade. “A cultura propicia exercício do pensamento, aquisição de idéias gerais, hábito de conectar causa e efeito”, contrapondo aqui a idéia de organizar a cultura como um saber, não como um saber enciclopédico.
As semanas de sociologia começaram em 2001 no Colégio Nilo Peçanha, se estendendo até os dias de hoje. A partir do segundo ano, ou seja, em 2002, a filosofia também foi incluída no programa da semana. Várias temáticas foram abordadas ao longo dos anos, sempre com o interesse voltado para discussões que estavam presentes no debate das ciências sociais, tais como juventude, participação, sexualidade, religião, dentre outras.
A partir de 2005, mini-cursos foram instituídos na semana que, cada vez mais, ganhava corpo e proporção. Também foram eventos artísticos integrantes de tal evento o teatro, a dança, fotografias, esporte, música, etc. Além disso, vale ressaltar a presença de vários projetos de extensão da UEL e a parceria com a UNIFIL.
Em um segundo momento, após esta análise da educação, da inclusão da sociologia no ensino médio e do relato das diferentes semanas de sociologia já realizadas, os depoimentos dos alunos e professores que participaram das mesmas foram incluídos.
Dentre eles, alguns despertaram atenção. O aluno ZI diz que “a maior contribuição está em proporcionar visões diferentes do mesmo tema”. Esta é, fatalmente, a grande contribuição da sociologia no ensino médio: proporcionar “visão de mundo”, “abrir a cabeça”. Em outras discussões já realizadas durante o curso, esta idéia “libertadora” da sociologia é fato constante, não só por parte dos futuros sociólogos, bem como dos alunos que cursam a disciplina no ensino médio.
Cabe ainda destacar o depoimento de uma mãe: “a importância do evento está sobretudo na relevância do relacionamento que os alunos e a escola tem com a universidade”. As palavras desta mãe refletem outra importante contribuição da semana de sociologia: integrar alunos e escola. Às vezes, os alunos de ciências sociais na universidade não enxergam a “praticidade” do curso, taxado como “viajado e que fica apenas na teoria”, pelo senso comum. Há, todavia, a necessidade de concordarmos que a sociologia não proporciona um saber específico durante a graduação, podendo este saber ser utilizado em empresas, varas de justiça, laboratórios, como em outros cursos. Porém, após o término da graduação, os caminhos para atuação nas ciências sociais são múltiplos.
Para mais desta contribuição visível do evento, as autoras apresentam mais quatro resultados/acontecimentos consideráveis das semanas de sociologia: as parcerias, a compreensão da colaboração da sociologia no formar professores, o envolvimento de todos as pessoas da escola (professores, alunos, coordenação pedagógica), faz com que o evento se torne mais completo e a necessidade de alguns professores readequarem a didática utilizada para com os alunos do ensino médio.
Acima destas já citadas contribuições, as semanas de sociologia só ratificam que bem articulada, a sociologia pode contribuir muito mais do que já contribui durante as aulas no ensino médio, com experiências significativas como esta, apresentando excelentes resultados para os envolvidos.